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Zeina Russo: a força feminina que transforma a panificação amazonense

Primeira mulher a presidir o Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Amazonas em mais de seis décadas de história, Zeina Russo traz em sua trajetória a essência de quem construiu cada conquista com trabalho, coragem e perseverança. Aos 65 anos, vai receber da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM) o prêmio “Microindustrial do Ano”, reconhecimento dedicado a empresários que contribuem de forma significativa para o desenvolvimento industrial do Amazonas, em cerimônia no dia 27, às 19h30, no Salão de Festas do SESI Clube do Trabalhador.

A homenagem celebra a empresária bem-sucedida, após deixar o interior do Amazonas aos 13 anos, enfrentar dificuldades pessoais e profissionais e transformar a panificação em um dos grandes propósitos de sua vida.

Natural do Careiro da Várzea, Zeina cresceu em uma fazenda, cercada por ensinamentos do pai, Domingos Russo Estácio, descendente de italianos e exemplo de disciplina e trabalho. Desde pequena, participava das atividades da propriedade rural, acompanhando o controle financeiro, ajudando nos serviços e aprendendo, na prática, o valor da responsabilidade. “Meu pai foi minha maior referência. Aprendi com ele a trabalhar, ser organizada, honesta e nunca desistir”, revela.

Foi esse espírito inquieto que moveu a adolescente a se casar e mudar para Manaus. Embora sem aprovação do então marido, sonhava trabalhar e conquistar independência financeira. Aos 21 anos, iniciou a trajetória na panificação ao lado dele, revendendo pães em bairros da capital, numa época em que as padarias ainda eram escassas na cidade.

A lida começava na madrugada. À 1h da manhã, o casal saía para organizar e vender pães de porta em porta. O trabalho intenso durou anos. Entre jornadas exaustivas, criação dos filhos e muitas renúncias, Zeina ajudou a construir o que mais tarde se tornaria a própria empresa.

“Trabalhamos cinco anos sem férias. Dormíamos pouco, economizávamos tudo e reinvestíamos no sonho de ter nossa própria padaria”, conta. Com persistência, nasceu a primeira unidade da empresa, inicialmente chamada JR Pães e Tortas, posteriormente transformada em Requinte Pães e Tortas. O negócio cresceu, ganhou estrutura moderna e se tornou referência na capital amazonense.

Mas a vida ainda reservava desafios. Após a separação, aos 40 anos, Zeina precisou recomeçar. Foi justamente nesse momento que decidiu retomar os estudos. Com apenas o ensino primário concluído, voltou para a sala de aula, concluiu a educação básica, prestou vestibular e ingressou na faculdade de Psicologia. “Eu precisava provar para mim mesma que era capaz. Queria estudar, crescer e continuar construindo minha história”, afirma.

A busca pelo conhecimento não parou. Hoje, Zeina acumula sete especializações, entre elas MBAs em Gestão Industrial e em Inovação, além de formações em Coaching e Gestão de Pessoas. Participou de programas internacionais, incluindo capacitações na Alemanha e nos Estados Unidos, pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL Amazonas), sempre em busca de inovação para aplicar tanto na empresa quanto no setor.

Liderança feminina transforma setor

Em 2023, Zeina entrou para a história ao assumir a presidência do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Amazonas, tornando-se a primeira mulher a ocupar o cargo desde a criação da entidade, há 66 anos.

A chegada da nova gestão trouxe mudanças significativas. Sob sua liderança, o sindicato ampliou o número de associados, fortaleceu ações de capacitação e passou a investir fortemente em inovação, eventos setoriais e valorização do associativismo.

Atualmente, o sindicato reúne cerca de 168 associados e representa um setor que soma mais de 3,8 mil padarias no Amazonas, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão a Semana da Panificação, a Feira Internacional da Panificação (Fipa), capacitações técnicas, caravanas empresariais e projetos voltados ao fortalecimento do empreendedorismo feminino no setor. “Nós mostramos que o sindicato pode ser moderno, inovador e próximo das pessoas. O nosso objetivo é fazer o setor crescer junto”, destaca.

Para Zeina, a liderança feminina trouxe um olhar mais humanizado à entidade. “Precisávamos quebrar paradigmas. Mostrar que a mulher pode liderar, inovar e transformar. Hoje, vejo muitas mulheres empreendendo e assumindo espaços importantes”, afirma.

Reconhecimento que emociona

Receber o prêmio “Microindustrial do Ano” representa, segundo Zeina, a confirmação de uma vida inteira dedicada ao trabalho e ao desenvolvimento do setor. “É um reconhecimento que emociona. Faz a gente lembrar de toda caminhada, de tudo que enfrentou e construiu. É a certeza de que valeu a pena continuar”, diz.

Ela dedica a homenagem à família, aos colaboradores e à equipe de gestão do sindicato. Mesmo após décadas de atuação, Zeina segue cheia de planos. Entre eles, está a ampliação da padaria para um espaço mais moderno e a criação de uma clínica multidisciplinar, unindo também sua formação em Psicologia.

Com a mesma energia de quem começou vendendo pão nas madrugadas de Manaus, a empresária continua olhando para frente. “Eu acredito que a vida precisa de sonhos. Quando a gente para de sonhar, perde o sentido. Eu ainda quero aprender muito mais”, declara.

Homenageados

 Durante a solenidade, também serão homenageadas as empresárias da indústria Mariana Reis Barrella, da Tutiplast, que receberá o título de Industrial do Ano, e Rebecca Martins Garcia, da GBR, que receberá a “Medalha da Ordem do Mérito Industrial Moysés Israel”. Além da empresa Recofarma que será reconhecida como Exportadora do Ano de 2025.

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