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Rebecca Garcia vai receber Mérito Industrial Moyses Israel

A Federação das Indústria do Estado do Amazonas (FIEAM) vai premiar a economista formada nos Estados Unidos, ex-deputada federal e hoje diretora de Planejamento Estratégico e presidente do Conselho ESG da GBR Componentes da Amazônia

O som ritmado das máquinas, a precisão das linhas de montagem e o fluxo constante de placas eletrônicas produzidas no Polo Industrial de Manaus (PIM) contrastam com um passado político conhecido do público amazonense. Entre equipamentos industriais e projetos de inovação, Rebecca Garcia vive hoje uma fase diferente da trajetória profissional: a de conduzir a transformação estratégica da GBR Componentes da Amazônia, com investimentos em tecnologia, ESG e novos modelos industriais.

“Eu sempre fui uma pessoa de querer fazer muita coisa. E você percebe que, se não estiver nos espaços de decisão, muitas vezes suas ideias não são colocadas em prática”, afirma a empreendedora que no dia 27 no SESI Clube do Trabalhador vai receber, em solenidade da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), a outorga da Ordem do Mérito Industrial Moyses Israel, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à indústria amazonense.

Em sua fala Rebecca explica a carreira marcada por transições, do mercado financeiro à indústria, da política à gestão empresarial, mas conectada por um mesmo eixo: a tomada de decisão.

Economista de formação, com experiência no mercado financeiro internacional e na política, Rebecca está à frente da Diretoria de Planejamento Estratégico da GBR Componentes da Amazônia e preside o Conselho ESG da companhia, do grupo Garcia. Depois de uma trajetória que passou pela Câmara dos Deputados, secretarias de governo e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), voltou à iniciativa privada em 2017 com uma missão clara: fortalecer a indústria local sem perder de vista os novos desafios tecnológicos e ambientais.

Formação internacional e visão estratégica

Muito antes da vida pública, Rebecca iniciou a carreira no universo das finanças. Formada em Economia pela Universidade de Boston, nos Estados Unidos, construiu experiência profissional ainda durante o período acadêmico, com passagens por uma corretora em Boston e por uma consultoria de comunicação financeira em Paris. Ao retornar ao Brasil, foi aprovada no processo seletivo do então Banco Pactual, hoje BTG Pactual, onde trabalhou entre 1995 e 2000, no Rio de Janeiro.

A experiência no mercado financeiro ajudou a moldar uma visão estratégica que hoje aplica ao setor industrial. “Foi um aprendizado importante para entender planejamento, risco e sustentabilidade financeira dos negócios”, resume.

Quando voltou a Manaus, Rebecca passou pelas empresas da família antes de ingressar na política. Trabalhou inicialmente na Garcia Industrial, fábrica de pré-moldados do grupo familiar, e depois atuou na TV Rio Negro, hoje afiliada da Band no Amazonas. Antes da vida pública, também se dedicou a ações sociais por meio da ONG Maria Bonita, da qual foi uma das fundadoras. A relação com o ambiente empresarial, porém, começou muito antes.

Rebecca cresceu acompanhando a expansão dos negócios familiares, iniciados pelos avós imigrantes, que chegaram ao Amazonas com poucos recursos e começaram uma pequena padaria no Centro de Manaus.

A partir dali o grupo empresarial se expandiu para diferentes segmentos até chegar à indústria eletrônica. “O maior aprendizado da minha família foi empreender dentro de um risco calculado. Primeiro você se capitaliza, depois aposta em algo novo. Se der errado, você não está devendo a ninguém”, afirma.

O retorno à indústria

Depois de mais de uma década dedicada à vida pública, Rebecca decidiu voltar à iniciativa privada. A decisão, segundo ela, foi planejada. “Quando entrei na política, decidi que dedicaria um período da minha vida àquilo. Quando saí, voltei para onde também poderia colocar ideias em prática.”

Foi na GBR Componentes da Amazônia que encontrou um novo campo de atuação. Fundada em 4 de novembro de 2002 no Polo Industrial de Manaus (PIM), a empresa atua principalmente na fabricação de placas e componentes eletrônicos utilizados por fabricantes instalados na Zona Franca de Manaus (ZFM). Os componentes são empregados na montagem de produtos como televisores e smartphones, em parceria com marcas do setor, como Hikvision, Tellescom, Gertec, Jovi, EFL e Zyxel. Hoje, a GBR reúne mais de mil colaboradores e busca ampliar sua atuação em novas frentes industriais.

Rebecca divide a condução dos negócios com o irmão Francisco Garcia Filho, enquanto o pai, o empresário e ex-deputado federal Francisco Garcia participa das decisões estratégicas da companhia, um modelo que mistura tradição familiar e profissionalização. “O desafio de uma empresa familiar é justamente profissionalizar sem perder a agilidade e a proximidade humana”, explica.

O maior desafio: mudar a cultura

Ao contrário do que muitos imaginam, Rebecca diz que o principal obstáculo da transformação industrial não está na tecnologia. “A maior dificuldade não é implementar um processo novo. É convencer toda a cadeia de pessoas de que aquele é o melhor caminho”, afirma.

Segundo ela, a indústria vive hoje uma mudança profunda de cultura organizacional. Se antes áreas como recursos humanos tinham papel apenas técnico, agora passaram a ocupar espaço estratégico dentro das empresas.

A GBR tem buscado incorporar esse novo olhar com iniciativas ligadas ao bem-estar dos funcionários, retenção de talentos e qualificação profissional.

Uma das ações citadas por Rebecca foi a implantação de uma sala de apoio à amamentação para colaboradoras, iniciativa que recebeu reconhecimento federal como prática de empresa cidadã.

A lógica, segundo ela, é simples: empresas mais humanas tendem a ser mais sustentáveis. “Passamos mais tempo no trabalho do que em casa. Se as pessoas estão bem, os negócios prosperam.”

O futuro passa pela inovação

Palavra recorrente na lida da empresária é: transformação. Nos últimos anos, a GBR passou a investir fortemente em um Hub de Inovação voltado à indústria 4.0, bioeconomia e inteligência artificial. Oficialmente lançado este ano, o espaço nasce com uma proposta ambiciosa: conectar startups, desenvolver novos negócios e preparar trabalhadores para um mercado cada vez mais tecnológico. Desenvolvido em parceria com a Venture Hub e desenvolvida com recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Lei de Informática da ZFM, o projeto recebeu investimento de R$ 3,04 milhões por meio do Programa Prioritário de Fomento ao Empreendedorismo Inovador (PPEI).

Em um programa recente da companhia, mais de 470 startups se inscreveram em um processo seletivo para incubação. A proposta vai além do desenvolvimento de produtos. Há uma preocupação crescente com os impactos da automação sobre o emprego industrial nas próximas décadas.

Rebecca observa experiências internacionais em países como China, Alemanha e Japão, onde as linhas de produção exigem cada vez menos mão de obra humana. A pergunta, segundo ela, precisa começar a ser feita desde agora: o que farão os filhos e netos dos atuais trabalhadores da indústria? “Precisamos preparar essas novas gerações para competências que o mercado vai exigir. Inteligência artificial, novas tecnologias, inovação. Esse é um debate urgente.”

Bioeconomia: promessa e desafio

Entre os projetos que mais mobilizam Rebecca está a bioeconomia, tema que ela vê como uma alternativa real de desenvolvimento para a Amazônia, embora ainda distante de atingir escala.

A GBR desenvolve atualmente projetos ligados à bioindústria, mas Rebecca faz um alerta: transformar biodiversidade em desenvolvimento econômico exige planejamento de longo prazo. “A bioeconomia pode ser um caminho, mas ainda temos gargalos muito grandes.”

Entre eles, estão problemas históricos de logística e, principalmente, a baixa escala de produção de matérias-primas amazônicas. “Hoje, se eu desenvolvo um produto e alguém pede toneladas para o mercado internacional, eu ainda não consigo atender porque não existe matéria-prima suficiente.”

Para ela, esse é um problema que ultrapassa a capacidade da iniciativa privada. “Isso exige política pública, planejamento estratégico e visão de Estado.”

Manaus e o Polo: uma relação ainda distante

Apesar de defender o modelo Zona Franca, Rebecca acredita que Manaus ainda aproveita pouco o potencial do Polo Industrial. Ela avalia que falta maior integração entre indústria, cidade e setor público. “Muita gente de fora chega aqui e fica impressionada com o nível técnico das fábricas. O Polo Industrial poderia até fazer parte de uma rota de turismo industrial.”

Na visão da empresária, a cidade ainda está “de costas” para o PIM, desperdiçando oportunidades de desenvolvimento conjunto.

Parcerias voltadas à revitalização de espaços urbanos, apoio a estruturas turísticas e fortalecimento da identidade industrial da capital poderiam aproximar dois universos que ainda caminham paralelamente.

Determinação como legado

Ao ser questionada sobre qual palavra definiria sua trajetória, Rebecca confirma, “Determinada.”

A definição parece resumir uma carreira construída entre mundos distintos (finanças, política, gestão empresarial), mas sempre guiada pela ideia de construir soluções de longo prazo.

Hoje, longe das disputas eleitorais, Rebecca afirma não planejar uma volta à política. O foco está na indústria, na inovação e em um projeto que considera essencial: pensar o futuro econômico da Amazônia. Para ela, desenvolvimento e floresta preservada não precisam caminhar em direções opostas. “O interior do Amazonas tem um caminho viável sem destruir a floresta: a bioeconomia. Mas isso precisa ser construído de forma séria, gradual e sustentável.”

Indústria homenageia lideranças empresariais e destaque na exportação

Durante a solenidade, também serão homenageadas as empresárias da indústria Mariana Reis Barrella, da Tutiplast, que receberá o título de Industrial do Ano, e Zeina Russo, da Requinte Pães e Tortas, homenageada com o título de Microindustrial do Ano. A Recofarma será reconhecida como Exportadora do Ano de 2025.

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