O segundo dia do 3º Seminário Nacional Protagonismo e Juventude, promovido pelo Conselho Nacional do SESI com jovens do ViraVida, foi marcado pelo interesse de órgãos do governo em se juntar ao projeto. Ao longo de quatro anos, o programa já ajudou mais de dois mil jovens que sofreram com abusos e exploração sexual a superarem seus traumas, se qualificarem profissionalmente e a entrar no mercado de trabalho.
O sucesso do ViraVida despertou o interesse dos Ministérios dos Esportes e da Cultura e da Secretaria de Juventude do Governo do Distrito Federal em somar esforços para ajudar ainda mais crianças e jovens que passam por problemas parecidos no país.
“Não conhecia o projeto, mas achei muito interessante. Queremos mais detalhes de quanto alunos o ViraVida tem no Distrito Federal, qual o trabalho que eles estão inseridos e como poderemos contribuir. Como agentes do poder público temos a obrigação de apoiar e ampliar programas de sucesso como este”, declarou o secretário de Juventude do Governo do Distrito Federal, Carlos Odas.
Participante da mesa que debateu o tema, “O mundo das políticas públicas”, a secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (MinC), Márcia Rollemberg, já antecipou em quais projetos do ministério que os alunos do ViraVida podem ser inseridos.
“Hoje o Minc trabalha com três projetos principais com jovens. O Agente Jovem de Cultura, o Cultura Viva e o Rede de Cidadania Cultural. Podemos estudar formas de inserir os jovens do ViraVida nestes projetos. Especialmente no Agente Jovem de Cultura que disponibiliza bolsas para que o aluno se especialize em áreas como a comunicação, articulação e mobilização cultural, cultura e tecnologia, pesquisa, acervo e diálogos no campo da cultura, formação cultural, produção e expressão artística e cultural, intercâmbios, encontros culturais e sustentabilidade”, disse.
Outro possível parceiro do ViraVida é o Ministério dos Esportes. O consultor da Câmara de Meio Ambiente e Sustentabilidade da pasta, Claudio Langoni, foi convidado para conduzir a mesa “O mundo dos esportes – oportunidades que a Copa e as Olimpíadas oferecerão aos jovens”.
“Milhares de jovens do Brasil serão capacitados para programas de voluntariado da Fifa. Haverá, por exemplo, qualificação no serviço de cerimonial, como o deste seminário que está sendo coordenado pelos alunos do ViraVida. Como os jovens do projeto fazem parte de um programa social, podemos estudar a possibilidade de priorizar a participação desses jovens nos projetos da Copa do Mundo“, admitiu Langoni.
Sobre outras oportunidades que os jovens terão com os eventos esportivos que o Brasil irá sediar, Langoni destacou as áreas de sustentabilidade, de resíduos, de reciclagem e de alimentos.
“O evento esportivo pode ajudar a acelerar as políticas públicas que o Brasil pode adotar neste setor. Estamos olhando este tema como possibilidades de negócios, não apenas a questão ambiental da coleta e reciclagem, mas também na substituição de embalagens e de procedimentos. O fornecimento de alimentos brasileiros como a castanha e o açaí, vão gerar muitas oportunidades também. Queremos induzir o aumento do consumo e da exportação”, destacou.
Sexóloga do “Altas Horas” diverte alunos do ViraVida
No final do dia, a palestrante convidada foi a sexóloga Laura Muller. Numa conversa descontraída, a simpática orientadora sexual tirou muitas dúvidas sobre gravidez na adolescência, doenças sexualmente transmissíveis, ejaculação precoce e outras curiosidades dos jovens que participaram com entusiasmo. Ao final do encontro, em entrevista com a imprensa, a sexóloga esclareceu a importância de saber lidar com pessoas que passaram por situações de violência sexual.
“Trabalhamos tentando fazer um acolhimento nesses casos, dando uma orientação. Também trabalhamos de uma forma preventiva com ações de educação sexual para prevenir esse abuso. Para a criança ter cada vez mais consciência do corpo, consciência que ninguém pode tocá-la. E se a criança estiver sendo vítima de algo desse tipo, a culpa não é dela, é sempre do adulto. Independente do jovem se sentir insinuando, sensual para o adulto, não é culpa dele. O adulto precisa aprender a ter limites”, afirmou a sexóloga que aproveitou para elogiar o projeto.
“O ViraVida é um projeto muito bacana porque inicia e reinsere o jovem no mercado de trabalho. Um projeto muito interessante porque atua em várias frentes importantes para a formação dessa criança e adolescente”, finalizou.
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