Vítimas de situação de exploração sexual têm oportunidade de inserção no mercado de trabalho.

Cerca de 50 jovens que passaram por situação de exploração sexual participam, até próxima quinta-feira (28), do processo de seleção para a inserção no projeto ViraVida, do Serviço Social da Indústria (SESI Amazonas). A iniciativa visa identificar e indicar os candidatos que se enquadram no perfil de público pré-estabelecido para a participação no projeto.
O ViraVida é um programa do Conselho Nacional do SESI, que oferece capacitação profissional, educação básica, atendimento psicossocial, médico e odontológico à jovens e adolescentes, entre 16 e 21 anos de idade, que foram ou são vítimas de exploração sexual. No amazonas, o projeto foi lançado em julho de 2012, pelo presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli.
Nesta segunda-feira (25), além da recepção, acolhida e apresentação do projeto aos jovens, foi aplicada uma redação e dinâmica com o objetivo de identificar projetos de vida, sonhos, expectativas de futuro.
Segundo a assessora do Conselho Nacional do SESI, Catarina Sabino, essas etapas buscam identificar interesses para o curso, conhecer as histórias de vida, além de verificar se o nível de conhecimento corresponde à escolaridade apresentada, além de conhecer a visão de mundo dos jovens.
Catarina afirma ainda que os jovens do projeto podem optar por cursos profissionais ou por abrir seu negócio.

Durante a dinâmica, percebeu-se entre os jovens algo em comum, a vontade de mudar de vida e a necessidade de esquecer o passado. A maioria sonha em cursar uma faculdade como a pequena Mariana Bentes* 16, que deseja ser engenheira mecânica. “Eu gosto de peças de carro, prefiro o trabalho duro. Estou muito feliz com essa oportunidade e tenho certeza que vai dar certo. O que mais quero é me dar bem no mercado de trabalho e mudar de vida”, disse.
Mariana é uma dos 20 jovens vindos da Associação Comunitária Vila da Felicidade, localizada próximo ao Encontro das Águas e da BR-319. “Os jovens dessa comunidade estão muito vulneráveis, pois lá passam de 8 a 10 mil pessoas por dia. Eles são alvos-fáceis da exploração sexual. Essa oportunidade é a realização de um sonho”, disse o líder comunitário Júlio Santos.
Os jovens foram encaminhados pelo SEAS, por meio do Projeto Criança Cidadã e Ame a Vida; Associação Comunitária Vila Felicidade, por meio da ESBAM, o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) da Nossa Senhora das Graças, o Instituto de Assistência a Criança e ao Adolescente Santo Antônio (IACAS), pelo Serviço de Atendimento a Vitimas de Violação Sexual (SAVVIS), por meio da Policlínica Dr. Antônio Reis, e pela Casa Mamãe Margarida.
A psicóloga Soraia de Araújo, da Casa da Mamãe Margarida, levou 20 jovens da instituição e disse que começa um novo ciclo no combate a exploração sexual no Estado.
“Quando chega esse período que eles deixam de ser criança, nós ficamos de mãos atadas por que não temos para onde encaminhá-los. Hoje eles estão com medo e angústia, mas amanhã colherão os frutos. Eu vislumbro a mudança de vida de cada um deles. Só tenho a agradecer ao SESI pela parceria nesse sonho”, disse emocionada.
Em todo o Brasil, mais de dois mil jovens passaram pelo projeto, dos quais 900 estão inseridos no mercado de trabalho.
A meta do SESI Amazonas é transformar a vida de 200 jovens até 2014. Em agosto está previsto início de nova turma, com mais 50 beneficiados. O SESI está articulando importantes parcerias e o investimento no projeto, custeado pelo Conselho Nacional do SESI, é na ordem de R$2 milhões por ano.
O projeto firmou parceria com o Sistema S: SENAI, SENAR, SESC, IEL, SENAC, SESCOOP, SEST-SENAT,SEBRAE e SESI (EJA e NIEC). Para denunciar situações dessa natureza, disque 100 (nacional) ou 0800-921407 (local).
*Nomes fictícios criados para preservar a identidade dos alunos.
