
Ao som da tradicional marcha nupcial, 68 casais disseram “sim” para oficializar a união na manhã da sexta-feira (29) em Itacoatiara, a 280 quilômetros de Manaus. O casamento coletivo foi promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI Amazonas), por ocasião da Ação Global, em parceria com a Rede Globo. O Clube Recreativo dos Professores de Itacoatiara (CREPI) foi local da cerimônia.
A coordenadora da Ação Global do SESI/AM, Patrícia Bezerra, disse que, em geral, o casamento coletivo regulariza a situação dos casais que já têm relacionamento estável. “Após cinco anos, o SESI/AM volta a disponibilizar aos participantes da Ação Global oportunidade do casamento civil para trabalhadores que precisam atualizar o estado civil e ampliar seus benefícios, como colaborador”, disse.
Gratuito, o casamento foi conduzido pelo juiz do Cartório do Terceiro Ofício da Comarca de Itacoatiara, Odílio Pereira da Costa, que enfatizou aos noivos sobre a importância do compromisso perante a lei e da decisão de formar uma família. “Todos estão aqui porque visam à estruturação da família e assumem o matrimônio como responsabilidade social”.

O juiz conduziu a cerimônia, por meio do proclame individual para cada casal. Após os proclames, os noivos deram o beijo coletivo para firmar o compromisso e assinaram a certidão de casamento. Os recém-casados tiveram direito a show de humor “Choelma e Chubico”, protagonizado pelos atores do SESI/AM, que se encarregaram de animar o coquetel em homenagem aos noivos.
40 anos de união oficializada
O casamento coletivo uniu noivos de todas as idades. É o caso da costureira Suely Bachman, 61 anos, e do estivador Raimundo Nonato Gomes, 63. Ambos amazonenses, ela de Itacoatiara e ele de Manaus. Conheceram-se há mais de 40 anos na escola onde cursavam o ensino médio. Desde então “não se desgrudaram mais”. Com três filhos e três netos, o casal mais experiente na cerimônia do casamento coletivo da Ação Global não pensava em oficializar a união até há pouco tempo.

“Faz seis meses que Raimundo rompeu três veias da cabeça, isso ocasionou um AVC, os médicos não acreditaram quando saiu ileso, e eu não saí de perto. Quando ele voltou do hospital, me pediu em casamento”, disse dona Suely, que aceitou o pedido de imediato.
Bem-humorado, Raimundo disse que, ao ficar doente, percebeu que Suely é a mulher da sua vida. “O casamento coletivo veio ao encontro da nossa vontade. Fomos beneficiados, além de passarmos tanto tempo pra casar, ainda foi de graça”, comemorou.
Raimundo e Suely foram parabenizados até pelo juiz. Muito aplaudidos quando trocaram as alianças, revelaram o segredo para tantos anos juntos: a boa comunicação e o respeito.
Noivas vestem do jeans ao véu e grinalda

Do véu e grinalda ao modelo mais despojado, como o jeans, ornaram os noivos. A vendedora Daiane Chavier, 27, e o pintor Erison dos Santos 27, cumpriram a tradição. A noiva usava vestido branco longo e o buquê de rosas vermelhas. O noivo, alinhado no terno preto, também quis estar à altura no grande dia.
“Hoje é um dia muito esperado, acreditamos que vale a pena usar roupa especial, a ocasião é única, achamos importante estarmos com o figurino de acordo com o matrimônio”, disse a noiva.
Já para Maria Negreiros, 43, cozinheira, o que importa mesmo é a certidão de casamento. “Eu não dou importância para o vestido, o que vale mesmo é a certidão de casamento, e aqui na Ação Global como está sendo gratuito, aproveitei, coloquei minha calça jeans e camiseta sem problemas”.
Foi o 1º casamento coletivo promovido pela Ação Global em Itacoatiara, em 22ª edição e na 2ª fora da capital, Manaus. O município de cerda de 100 mil habitantes foi o escolhido para receber um dos serviços mais disputados da programação.
Os recém- casados foram agraciados com bolo, coquetel e música após a cerimônia. De acordo com Patrícia Bezerra, a cerimônia foi possível por meio de parcerias: o juiz e os serviços do cartório 3° Ofício foram gratuitos; a panificadora Parque doou o bolo; a Roberta Magazine decorou o clube. Cada casal teve direto a levar três convidados.
Promessa de casamento

Para a professora e noiva Vandete Cardoso, 49, o casamento coletivo não foi somente a realização de um sonho, mas também o cumprimento de promessa feita seis meses atrás, quando o militar Valciney Menezes, seu companheiro, sofreu um súbito desvio de coluna que o deixou paralisado.
Segundo a professora, o maior sofrimento pelo qual passou. “Ver meu marido, homem ativo, trabalhador, sem andar e ainda com fortes dores, foi doloroso pra mim. Roguei, rezei e fiz a promessa que, se ele ficasse curado, eu iria me casar na primeira oportunidade”, relatou a noiva que, após um mês da promessa, viu o companheiro totalmente curado.
De acordo com o casal a união já dura quase 30 anos. “O casamento coletivo ajudou-me a cumprir a promessa, meu marido está curado, estamos casados perante a lei, agora e só alegria”.
Já a itacoatiarense Maurilene Profiro, 19 anos, grávida de cinco meses, conta que a maternidade a motivou a casar-se com o industriário Ronan Pereira, 29: “vamos começar uma vida a dois, à espera do nosso filho”, afirmou. O casal se relaciona há um ano e aproveitou a facilidade do casamento coletivo da Ação Global para oficializar a união.
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