A saúde do trabalhador brasileiro vai mal. É o que aponta o levantamento do Ministério da Saúde, divulgado ontem pela gestora de Lazer Ativo do Departamento Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), Geórgia Antony, no lançamento do Programa Alimentação Saudável na Indústria, no Hotel Holiday Inn.
Dentre as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), citadas por Antony, está a obesidade, doença que atinge mais de 20 milhões de brasileiros.
De acordo com registro do MS, a obesidade está presente em cada uma de duas pessoas da população brasileira. O problema representou gastos do Sistema Único de Saúde em 2011 ao redor de R$ 488 milhões, em mais de 7 mil atendimentos ambulatoriais e 208 mil internações. A gestora ponderou que os números seriam ainda maiores se fosse contabilizada a população menor de 18 anos.
Geórgia chamou atenção para a obesidade por ser uma doença visível para todos e que já se tornou preocupação também da Organização das Nações Unidas (ONU), que desde maio deste ano incluiu o tema em duas das nove metas de trabalho discutidas como prioridade e aderidas por 194 países-membros da ONU, que se comprometeram em deter o crescimento das DCNT´s.
O documento da ONU, assinado inclusive pelo Brasil, propõe o desafio de reduzir em 25% até 2025 as mortes prematuras por doenças não transmissíveis, sendo elas responsáveis por mais de 60% das mortes no mundo, ou seja, 36 milhões no total de 57 milhões de óbitos.
Segundo Geórgia, caso não sejam implantadas políticas públicas e programas voltados à saúde e reeducação alimentar, bem como um trabalho direcionado ao estímulo de exercício físico, o número apresentado pela ONU pode quase dobrar até 2030, lembrando que as principais causas de mortes serão atribuídas ao tabagismo, má alimentação, inatividade e uso excessivo de álcool.
Contribuindo para atender as metas, o SESI apresenta um programa integrado de educação alimentar com duração média de seis meses para a indústria, visando informar e possibilitar que o trabalhador desenvolva a capacidade de selecionar alimentos para satisfazer suas necessidades nutricionais diariamente e evitar o agravo de doenças como obesidade, hipertensão e diabetes.
A nutricionista do SESI Amazonas, Creuza Varela, explicou no que consiste Programa Alimentação Saudável na Indústria, no qual foi estruturado com dois focos principais, abrangendo os indivíduos saudáveis e os indivíduos com risco e patologia.
“Oferecemos ao trabalhador informações que possam levá-lo à qualidade de vida e bem-estar. A empresa interessada terá um acompanhamento da equipe de multiprofissionais do SESI Amazonas que atuarão nas intervenções para mudança de comportamento de seus colaboradores, por meio de ações educativas pontuais e vivenciais, e ações direcionadas aos trabalhadores que possuem quadro de doenças crônicas”, disse Creuza.
Para o chefe administrativo e financeiro da Sakura EXH do Brasil, Nilton Okayama, a iniciativa do SESI em promover serviços que complementam o trabalho realizado pela indústria aos industriários é fundamental. A empresa recebeu na última semana o resultado do Diagnóstico de Saúde e Estilo de Vida, realizado pelo SESI Amazonas, que identificou mais de dez funcionários com problemas graves de colesterol e triglicerídeos elevados.
Com os resultados em mãos, Okayama pretende reformular o cardápio alimentar da empresa e eliminar excessos de sal e intensificar as opções saudáveis de saladas e frutas.
Segundo Okayama, a Sakura é uma indústria que se preocupa com a qualidade de vida de sua força de trabalho, concedendo além de benefícios regimentais, quatro refeições no decorrer da jornada de trabalho diária, sendo café da manhã, almoço e dois lanches.
“O SESI completa o que a empresa não realiza quanto à orientação e acompanhamento dos trabalhadores. É uma instituição parceira que nos auxilia quanto a tomada de decisões para se ter um industriários saudáveis”, avalia Nilton Okayama.
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