Explorar os mistérios do passado por meio da arqueologia e propor soluções para desafios enfrentados por profissionais da área. Esse é o desafio que move os participantes do torneio de robótica do 8º Festival SESI de Educação até domingo (8) no Parque Ibirapuera (SP). Ao longo do primeiro dia, as equipes começaram a montagem dos pits, espaços que funcionam como oficinas temporárias para ajustes de robôs, organização de equipamentos e preparação para as disputas.

O Amazonas participa com cinco equipes: três são da Escola SESI de Referência Dra. Emina Barbosa Mustafa, Prodixy (FTC e FRC) e Apoema (STEM Racing). E duas, apadrinhadas pelo SESI Amazonas: Liga do Ovomaltine, do Colégio da Polícia Militar do Amazonas (1º CMPM), e Engenheiros do Açaí, equipe de garagem formada por estudantes de Manaus, ambas competidoras na modalidade FIRST LEGO League.

A superintendente do SESI Amazonas, Rosana Vasconcelos, acompanhou a montagem dos pits e conversou com os estudantes. “O torneio é uma competição pelo conhecimento, pela educação, pela inovação. O SESI Amazonas está muito feliz em trazer as equipes de nossa escola e mais duas equipes apadrinhadas. Para nós, é a educação sem fronteiras. É um orgulho e extremamente emocionante ver esses jovens concentrados, trabalhando nos projetos, vivendo essa experiência de responsabilidade, autonomia, gestão de projeto e logística”, disse.
Educação tecnológica
A abertura oficial contou com uma mensagem em vídeo do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, que ressaltou a importância da robótica educacional para o futuro do país. “Queremos agradecer o entusiasmo e a motivação de vocês para que possamos fazer deste torneio não apenas uma competição, mas uma esperança para construir um novo país. São vocês, jovens, que vão tornar isso uma realidade”, declarou.

Para o presidente do Conselho Nacional do SESI, Fausto Augusto, o festival mostra que é possível construir uma educação tecnológica em todo o Brasil. Aqui reunimos a diversidade dos territórios e provamos que, quando investimos em educação, podemos chegar cada vez mais longe”, disse.
Fausto também ressaltou a forte presença feminina na competição. “O festival é um espaço de empoderamento. Muitas das pessoas envolvidas na robótica aqui são mulheres, e isso é muito importante. Também é um espaço de convivência e de construção de um Brasil melhor”, completou.
Oportunidade de aprendizado

Para muitos estudantes, o festival representa uma oportunidade única de aprendizado e novas experiências. É o caso de Bernardo Monteiro, de 14 anos, integrante da equipe Engenheiros do Açaí, que participa pela primeira vez da etapa nacional.
“É uma sensação tão nova que eu nem sei explicar. Algo único. Eu não vim aqui para ganhar troféu, mas para me divertir e fazer amizades”, contou o estudante, que também aproveitou a viagem para conhecer São Paulo e andar de metrô pela primeira vez.
A estudante Raíssa da Costa Vieira, de 15 anos, da equipe Liga do Ovomaltine, também vive uma experiência inédita. Para ela, a viagem ao festival representa a realização de um sonho.
“É a primeira vez que estou viajando. Eu nunca tinha nem atravessado a ponte”, disse, referindo-se à Ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município de Iranduba. “Viajar de avião foi incrível, e quando chegamos aqui deu aquele friozinho. É uma oportunidade que a gente nunca imaginou ter.”
Representatividade indígena

Entre os participantes do Amazonas está Fernanda Brazão, de 16 anos, integrante da equipe Prodixy na categoria FIRST Robotics Competition (FRC). Indígena da comunidade Terra Preta, ela destaca a importância de representar sua identidade no festival. “É uma experiência incrível. Eu quero mostrar quem eu sou, mostrar que uma menina indígena teve acesso à robótica. Isso abre a nossa visão de futuro e dá vontade de aprender cada vez mais”, afirmou.
Fernanda também ressaltou o desejo de levar o conhecimento adquirido para sua comunidade. “A robótica traz interesse pela ciência e pela tecnologia. Eu quero levar isso para a minha comunidade, porque tem muitas crianças que querem aprender e explorar o mundo”, disse.
Emoção na última participação
Para Ericka Thamilly Lima, de 17 anos, integrante da equipe Prodixy na categoria FRC, o festival deste ano tem um significado especial: é sua última participação como competidora. Segundo ela, o primeiro dia foi marcado por alguns desafios na montagem do pit da equipe, mas nada que comprometa o desempenho nos próximos dias.
“Tivemos alguns probleminhas na montagem do pit, não ficou exatamente como queríamos, mas nada que atrapalhe a competição. Nosso principal foco é trabalhar como uma equipe, se apoiar, torcer. Se um cair, todos caem; se um ganhar, todos ganham”, destacou.
Ao relembrar sua trajetória na robótica, Ericka descreve o momento com emoção. “É como ver um filme passando. Lembro da minha primeira participação, em 2024, e de tudo o que vivemos até aqui. É um sentimento único. Espero voltar ao Festival como juíza ou voluntária, porque quero continuar vivendo esses momentos por muitos anos”, disse ela.
Próxima parada é na Bahia
Nesta edição, mais de 2,3 mil estudantes do País, com idades entre 9 e 19 anos, estão distribuídos em 240 equipes competidoras, disputando nas modalidades FIRST® LEGO® League Challenge (FLLC), FIRST® Tech Challenge (FTC), FIRST® Robotics Competition (FRC) e STEM Racing, programas internacionais da FIRST® que utilizam ciência, tecnologia e engenharia como ferramentas de aprendizado.
Durante a cerimônia de abertura, também foi anunciado que a próxima edição do Festival SESI de Educação, em 2027, será realizada na Bahia.



