Um talk-show com o artista plástico e cenógrafo amazonense Óscar Ramos foi uma das atividades da segunda edição do Festival Literário e Cultural SESI (FLICS), no último sábado (11), no Salão de Vidros do Studio 5, no Distrito Industrial. O público contou com peças teatrais, mesa interativa de robótica, oficina de origami, show musical, espaço de leitura e exposição de obras de artistas locais.

“A ideia do FLICS é, a cada edição, homenagear um escritor e na sequência um artista plástico, como o Óscar Ramos, sempre com o objetivo de valorizar quem é da terra. Temos que fazer com que as pessoas conheçam e saibam que aqui tem muita gente boa e que precisa ser reconhecida localmente também”, explicou a responsável pelo evento, Ana Karina Holanda.
As edições do Festival serão realizadas a cada dois anos, segundo ela, e, nos anos de intervalo, a ideia é fazer uma versão “pocket” (reduzida) como a deste ano, com programações menores, porém dentro do intuito de fomentar a cultura e o hábito da leitura em geral. O FLICS é uma iniciativa do Serviço Social da Indústria em parceria com a Rede Amazônica.

“Sou um grande admirador do trabalho do Óscar Ramos e vim aqui no FLICS para prestigiá-lo. Eventos como esse são não apenas oportunos como importantes pelo fato de que provam que também se pensa aqui na região Norte, que o calor amazônico não embota tanto os cérebros como muito dos colonizadores pensam”, disse o professor de administração da Universidade Federal do Amazonas, José Seráfico.
Alunos do ensino médio da Escola SESI Dra Emina Barbosa Mustafa mostraram adaptações de clássicos do teatro, como parte dos trabalhos realizados em sala de aula. Foram apresentadas duas peças, uma do português Gil Vicente (“Auto da Barca do Inferno”) e uma do brasileiro Ariano Suassuna (“Auto da Compadecida”).
“Dentro da metodologia aplicada na escola, a partir da leitura do material didático, surgiu o interesse de apresentar esses textos de forma lúdica até para transformar o ensino em algo mais interessante. O Auto da Barca do Inferno, por ser um clássico da literatura portuguesa, foi trabalhado de forma introdutória para iniciar o ensino da matéria na escola”, explicou a professora de literatura da Escola SESI Dra Emina Barbosa Mustafa, Rosimeire Bezerra.

A novidade do FLICS, este ano, foi a mesa interativa de robótica, a partir dos robôs desenvolvidos por cinco alunos das escolas SESI, que podiam ser controlados para simular uma partida de futebol interativa. O trabalho com a robótica educacional, segundo o professor de robótica do SESI, Glauco Soprano, pode ser demonstrado de forma criativa para o público presente conhecer e interagir com essa temática.
“O FLICS tem uma programação muito bacana em que o público pode usufruir de forma gratuita de muitas atividades. Meu filho gosta dessa temática de robôs que despertou o interesse dele em vir participar da mesa interativa do SESI, e ele está adorando”, disse o empresário Vanter Dantas, 31 anos, pai do estudante João Pedro, 12 anos, que sofre de uma doença rara e congênita, artrogripose, que o impede de andar.
No final, João Pedro foi um dos ganhadores da competição “Conta um Conto”, realizada paralelamente ao FLICS por iniciativa da Rede Amazônica em parceria com o SESI/AM. A competição premiou os quatro melhores contos e desenho de alunos da 1ª à 9ª série, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA). João Pedro foi o ganhador na categoria Conto, para estudantes da 6ª e 7ª séries. Na redação, de tema livre, o estudante narrou a sua vida e os obstáculos que tem que enfrentar no dia a dia como cadeirante.
