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Canteiro de obras vira escola na Capital Rossi

Com muito entusiasmo e força de vontade, mais de 60 trabalhadores da área da Construção Civil, da Construtora Capital, estendem sua jornada e transformam o refeitório do canteiro de obras em sala de aula. Em parceria com o Serviço Social da Indústria, SESI Amazonas, duas turmas, uma de alfabetização e outra do 2º ao 5º ano, estão em andamento na construção do condomínio Vila Jardim. A aula inaugural foi realizada ontem (12).

Emilson da Silva, conhecido como Ceará, 55, é um dos personagens principais da iniciativa. Casado e com três filhos, o carpinteiro, cearense, vai prolongar sua jornada por mais duas horas. Ele será um dos trabalhadores que, além de almoçar, usará o refeitório do canteiro para estudar. Ceará reconhece que a rotina vai ficar mais cansativa, pois às 5h manhã já está de pé, passa o dia trabalhando debaixo sol e, ainda assim, não só aceitou elevar a escolaridade, como foi o percussor da iniciativa. “Eu participo da Cipa da empresa e tive a ideia de conversar com o pessoal da empresa, não sei se foi por isso que trouxeram, mas deu certo”, disse. Ceará ainda não é alfabetizado e vê na oportunidade uma chance de aprender a ler e escrever.

“Eu só sei assinar meu nome, tenho dificuldades para preencher fichas no trabalho, e acho muito bonito quando vejo as pessoas que dominam a escrita. Uma pessoa que não sabe ler é uma pessoa cega. Eu vou pelejar e realizar o sonho de ser técnico de segurança”, disse.

O pedreiro José Ribamar pereira, 42, disse que cursou apenas a antiga 1º série, mas não tem como comprovar, fato que atrapalha seu desenvolvimento na empresa. José é casado, tem duas filhas e dois netos. “Eu acordo as 5h da manhã, e tenho muita vontade de concluir meus estudos, porque acho que isso vai facilitar muito a minha vida. E, principalmente, vou servir de exemplo para minhas filhas, que não gostam muito de estudar. Vou aproveitar essa oportunidade e chegar a uma faculdade de Logística. Quando a pessoa tem determinação e vontade, a força aparece”, disse.

Gildomar Malhalhães, 55, parou os estudos na antiga 8º série, no entanto, deseja voltar para alcançar um nível de escolarização técnica. “Qualquer emprego hoje pede no mínimo o ensino médio. Por isso quero me preparar e realizar esse sonho de fazer um curso noSENAI Amazonas e me qualificar”, disse. Gildomar é solteiro, pai de duas filhas, e disse que está acostumado com a rotina puxada. “Eu acordo, às 4h da manhã, uso meu horário de almoço para participar de uma célula, não desperdiço, oportunidades que me ajudam crescer como pessoa, disse o motivado pedreiro.

De acordo com a gerente de Educação de Jovens e Adultos do SESI, Cassandra Augusta, as aulas das 17h às 19h vão utilizar a metodologia SESIEDUCA que obedece a três princípios básicos: flexibilidade, continuidade e viabilidade, e que tem duração de 18 meses, com aulas de disciplinas, como matemática, língua portuguesa, história, ciências e geografia, abordando temas extraídos do cotidiano.

Cassandra reconheceu o quanto a iniciativa requer esforço e dedicação dos alunos, que estudarão por mais duas horas além de sua rotina. “Eles irão sentir dificuldades, mas a persistência é o caminho do sucesso. Mais dificultoso seria sair da obra e ainda pegar um ônibus para ir estudar, sendo aqui tudo fica mais fácil. O SESI deseja determinação e coragem, não se preocupem com letra feia, medo do professor ou preguiça. Isso aqui é uma oportunidade de escolarização, de crescimento. É o alicerce do futuro de vocês”, incentivou.

Na ocasião, os alunos receberam material escolar com a agenda, caderno, pasta e garrafinha de água como parte do Programa de Otimização do Consumo do SESI. Para a analista de pessoas da Capital, Diene Pereira, a oportunidade vai permitir ainda a promoção e capacitação de alguns dos trabalhadores. “Muitas vezes queremos investir na qualificação deles, mas os pré-requisitos escolares impedem. A Capital tem a preocupação de investir na qualificação de seus colaboradores, porque isso impacta diretamente na qualidade de vida deles, e no trabalho que eles desenvolvem para a empresa”, disse.

Atendimento EJA NO SESI

O SESI possui ainda uma Unidade Móvel de EJA (da alfabetização ao 5º ano) que já atendeu 24 alunos da Cristal Engenharia e ainda está em atendimento de mais 24 na Beconal Construção Naval.

Além disso, oferece EJA para 25 trabalhadores da Aliança Incorporadora (da alfabetização ao 5º ano), 47 alunos da Construtora Capital, distribuídos em duas turmas (uma da alfabetização e outra do 2º ao 5º ano), 63 alunos na Andrade Gutierrez, em três turmas, uma da alfabetização ao 5º ano, do 6º ao 9º, e outra do ensino médio. Na mineração Taboca, são 46 alunos, sendo 20 de ensino médio e 33 do 6º ao 9º ano, enquanto que na Petrobras de Urucu são 42 alunos do total, 21 de alfabetização ao 5º ano, e 22 alunos, do 6º ao 9º ano. Fora a parceria a ser fechada também com a Construtora Capital, em três modalidades de ensino, já se totaliza mais de 246 alunos que estão em processo de elevação de escolaridade pelo SESI.

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