Alunos da Escola SESI de Referência Dra. Emina Barbosa Mustafa chegaram em São Paulo para representar o Amazonas nas competições de robótica do Festival SESI de Educação 2026, dias 4 a 8, no pavilhão da Fundação Bienal – Parque Ibirapuera. Dezoito alunos e quatro técnicos levam para a competição robôs desenvolvidos com engenharia estratégica, programação avançada e projetos sociais voltados à democratização do acesso à tecnologia.

A equipe Prodixy vai disputar nas categorias FIRST® Tech Challenge (FTC) e FIRST® Robotics Competition (FRC). E a equipe Apoema vai concorrer na categoria Stem Racing, buscando garantir vaga para a competição internacional.

Para a FIRST® Tech Challenge (FTC), a Prodixy desenvolveu o robô #16050, projetado para cumprir com eficiência os desafios propostos pela competição nacional que avalia o desempenho técnico, a estratégia, inovação e o trabalho em equipe.
A equipe segue um processo estruturado de engenharia, que inclui pesquisa técnica, prototipagem contínua, testes de validação e tomada de decisões baseada em dados. Para isso, utiliza softwares aplicados na indústria e na engenharia moderna, como Fusion 360, Onshape e Tinkercad, responsáveis pela modelagem CAD, simulações e ajustes estruturais antes da fabricação das peças.
O projeto foi desenvolvido ao longo de meses de estudos e testes práticos, com dedicação diária dos estudantes para garantir que o robô atendesse integralmente aos requisitos técnicos da competição e apresentasse alto desempenho em arena.
A estudante Lauryn Santiago, 16, responsável pela programação do robô, destaca que o processo exigiu persistência e aprendizado constante. “Um dos maiores desafios foi adaptar o robô às dimensões exigidas e fazer com que todos os sistemas funcionassem juntos de forma eficiente. Tivemos que testar várias soluções até chegar ao resultado ideal. Cada erro virou aprendizado para melhorar o desempenho”, afirma.
Lauryn também ressalta a importância de sua atuação em uma área ainda marcada por desafios para meninas. “No começo, ser menina na programação parecia intimidante, mas a robótica me mostrou que capacidade não tem gênero. Hoje me sinto mais confiante e quero incentivar outras meninas a entrarem na tecnologia.”
Categoria FIRST® Robotics Competition (FRC)
Nessa categoria mais complexa, a Prodixy desenvolveu o robô Grace, nome inspirado na cientista da computação Grace Hopper. O equipamento foi projetado para executar tarefas em uma arena de grande escala, exigindo resistência mecânica, velocidade e precisão estratégica.
Entre os diferenciais do robô estão a programação em Java, com uso da biblioteca oficial WPILib, padrão da FIRST; arquitetura Command-Based, que organiza o funcionamento em subsistemas independentes, aumentando a confiabilidade; sistema de movimentação Tank Drive, priorizando tração, estabilidade e desempenho defensivo; uso de limitadores de aceleração (Slew Rate Limiter), garantindo maior controle durante a pilotagem; peças personalizadas produzidas em impressão 3D, otimizando manutenção e distribuição de peso; e sistema elétrico reposicionado para reduzir interferências e facilitar reparos durante as partidas.
“A estratégia da equipe aposta em ciclos rápidos de pontuação, com capacidade de coletar até 12 peças por ciclo, atuando como pontuadora principal e defensora secundária dentro das alianças formadas durante os jogos”, segundo a técnica Ana Caroline Duarte.
Nesta temporada, a Prodixy prioriza um robô mais robusto e confiável, com melhorias na organização do código, facilidade de manutenção e eficiência mecânica, reduzindo riscos de falhas em competição e aumentando a consistência das ações em campo.
Tecnologia com propósito social
Além do desempenho técnico, a FTC e a FRC valorizam o impacto social das equipes. Nesse aspecto a Prodixy desenvolveu iniciativas voltadas à inclusão educacional e ao incentivo à ciência e tecnologia.
Entre os sete projetos apresentados pela equipe está a iniciativa ‘Biblioteca sem Fronteiras’, que busca ampliar o acesso ao conhecimento por meio da doação e circulação de livros, para promover leitura e educação em comunidades com acesso limitado a recursos educacionais.
Outro destaque é o Prodixy Girls, projeto criado para incentivar a participação feminina nas áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática). A iniciativa promove mentorias, oficinas e ações inspiradoras voltadas especialmente para meninas, estimulando confiança, liderança e interesse pela tecnologia desde cedo.
A estudante Ericka Thamilly Lima, 17, integrante da área de projetos sociais, acompanha diretamente essas ações desde que ingressou na equipe, em 2024. Segundo ela, o maior desafio enfrentado está relacionado ao acesso desigual à educação tecnológica na região.
“O principal desafio com toda certeza é a questão da educação, tanto básica quanto tecnológica, percebemos que muitas pessoas de baixa renda não tem acesso à educação básica e muito menos a tecnológica, e que Manaus tem um grande problema em ampliar o acesso à tecnologia e robótica no estado, então nossos projetos trazem os dois para impactar realmente a comunidade”, disse.



