Os desafios e as oportunidades geradas pela inteligência artificial para a educação básica ganharam as atenções hoje (6) no Seminário Internacional de Educação, que integra a programação do 8º Festival SESI de Educação no pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera (SP).
Ao abrir o evento, o superintendente do SESI Departamento Nacional, Paulo Mol, destacou a importância da discussão sobre o futuro da educação em um cenário de rápidas transformações tecnológicas. O encontro reuniu especialistas e educadores para refletir sobre caminhos capazes de preparar estudantes e professores para os desafios da era digital, em um ambiente que reuniu cerca de 2,5 mil jovens participantes do festival.
O diretor de Educação e Competências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Andreas Schleicher, apontou o potencial da inteligência artificial para tornar a aprendizagem mais personalizada. Para ele, as tecnologias podem apoiar o ensino, mas não devem substituir o papel dos professores. “O centro do processo educacional precisa continuar sendo humano”, afirmou.
A presidente do Conselho Estadual de Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães, ressaltou que a inteligência artificial pode contribuir especialmente para aprimorar os processos de avaliação e acompanhamento do aprendizado. Segundo ela, as ferramentas digitais permitem oferecer retornos mais rápidos aos professores e apoiar decisões pedagógicas em sala de aula.
A especialista também chamou atenção para a necessidade de atualização dos sistemas de avaliação educacional no país e para os desafios relacionados ao perfil dos estudantes atuais, ao citar que 27% dos estudantes brasileiros relatam sentir solidão, índice superior à média registrada entre países da OCDE.
Já a deputada federal e presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação, Tábata Amaral, destacou que o debate sobre tecnologia precisa considerar também os impactos das plataformas digitais na saúde mental de crianças e adolescentes. Segundo ela, o Congresso Nacional discute medidas para responsabilizar empresas de tecnologia e garantir maior proteção aos jovens no ambiente digital.
“Criança não pode receber conteúdo que faça ela odiar sua aparência”, afirmou a parlamentar, ao defender regras mais claras para o funcionamento das redes sociais e o cumprimento da legislação brasileira em ambientes digitais.
Tábata também falou sobre o desafio da desigualdade digital no país. Segundo dados citados por ela, 41% das escolas brasileiras ainda não possuem computadores, o que reforça a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura tecnológica e formação de professores para o uso pedagógico da inteligência artificial.
O secretário estadual de Educação do Paraná, Roni Miranda, apresentou experiências do estado no uso de tecnologia e inteligência artificial na educação pública. Segundo ele, o investimento em inovação e ensino técnico tem ampliado as oportunidades de aprendizagem dos estudantes e estimulado o desenvolvimento de projetos educacionais baseados em tecnologia.
Miranda também destacou os aprendizados trazidos pela pandemia e afirmou que a integração entre tecnologia e educação tem potencial para transformar a aprendizagem. “Quando tecnologia e educação caminham juntas, conseguimos transformar a vida dos estudantes”, afirmou.
Apesar das diferentes abordagens, os participantes da mesa convergiram em um ponto central: a inteligência artificial pode ampliar as possibilidades de ensino, mas seu uso precisa estar aliado à formação docente, ao desenvolvimento humano dos estudantes e a políticas públicas capazes de garantir acesso e uso responsável da tecnologia nas escolas.
O professor na era digital

Mediador do debate sobre a formação de professores para o uso de tecnologias e da inteligência artificial (IA), secretário-geral da Fundação Roberto Marinho, João Alegria, assinalou que o avanço acelerado das tecnologias digitais exige uma transformação na formação docente, que precisa ser contínua para acompanhar as mudanças na sociedade e na educação.
Para a presidente do Instituto Salto, Cláudia Costin, a inteligência artificial deve ser encarada como aliada no processo educacional, desde que o professor assume papel protagonista no uso dessas ferramentas. Segundo ela, a valorização da carreira passa também pela mudança de mentalidade dentro da profissão. “Eu preciso ter um professor que se sinta um profissional, e não um coitadinho, e que consiga usar as tecnologias a seu favor”, afirmou.
Costin também ressaltou que as escolas precisam fortalecer competências humanas nos estudantes, como criatividade, pensamento crítico e resolução colaborativa de problemas — habilidades que se tornam ainda mais importantes em um cenário de avanço da inteligência artificial. Nesse contexto, destacou a importância de aproximar professores e alunos da cultura digital, inclusive com conhecimentos básicos de programação.
Já o vice-presidente da Microsoft Brasil, Guilherme Araújo, observou que os chamados agentes de inteligência artificial já fazem parte da rotina de muitas organizações e tendem a se expandir rapidamente, assumindo tarefas repetitivas e operacionais.
Segundo ele, a tecnologia deve atuar como apoio ao trabalho humano, ampliando a produtividade e liberando tempo para atividades mais estratégicas e criativas — inclusive na educação.
João Alegria também sugere que, mais do que dominar ferramentas tecnológicas, o educador precisa desenvolver novas competências para orientar o aprendizado em um ambiente cada vez mais mediado por tecnologias.
Os especialistas concordaram que a integração entre educação, tecnologia e formação docente contínua será decisiva para preparar estudantes e pro Na discussão sobre “Inovação e qualidade na educação básica: o papel das políticas públicas na era da IA”.



