Já parou para pensar como é realizada a certificação de um produto cerâmico? A resposta para essa pergunta está no Laboratório de Cerâmica Vermelha do SENAI, localizado na Escola SENAI Demóstenes Travessa. Construído numa área de 40 metros quadrados, realiza ensaios (testes) de blocos cerâmicos (tijolos) e telhas cerâmicas para indústrias, construtoras, organismo de certificação de produtos e comunidade em geral. Apenas em 2016, o laboratório realizou 240 ensaios, atendendo em média 85 empresas.
“O laboratório desenvolve serviços laboratoriais, atendendo as normas vigentes com imparcialidade e responsabilidade, cooperando no desenvolvimento de pesquisas tecnológicas para a indústria do segmento da construção civil, buscando assim a contínua satisfação de seus clientes”, diz o coordenador do laboratório, Francis Aquino.
De acordo com Aquino, que também é consultor técnico do local, o Laboratório de Cerâmica Vermelha é o único qualificado em Manaus e possui um controle rigoroso para fazer esses ensaios. “Hoje só há o nosso laboratório aqui na cidade, qualificado pela entidade gestora técnica, cujo método analítico é credenciado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro)”, afirma.
Ainda segundo o coordenador, a indústria, por meio do Sindicato das Indústrias de Cerâmica do Estado do Amazonas (Sindicer/AM), destina lotes de até 26 peças dos blocos cerâmicos e telhas que produz para o laboratório fazer os ensaios, visando padronizar os produtos de acordo com o enquadramento técnico exigido.
“O nosso laboratório é importante para inserir essas empresas no Programa Setorial da Qualidade (PSQ) atendendo umas das exigências do Ministério das Cidades, através da portaria Nº 332, que também é reconhecido pela Associação Nacional da Indústria Cerâmica (Anicer). Esta é fundamental para a certificação e para que haja um combate a não conformidade desses produtos e venha a buscar o padrão de conformidade”, pontua Aquino.
O laboratório conta com uma equipe técnica formada por um coordenador, dois consultores técnicos e dois estagiários, que realizam diariamente pelo menos três ensaios com blocos cerâmicos e cinco ensaios com telhas cerâmicas. O processo é simples, a empresa envia diretamente para o laboratório as amostras dos produtos onde na recepção é verificada a documentação, efetuado o registro no sistema computadorizado para controle interno, passa para o setor de armazenamento e depois para a sala de análises.
“É feita uma verificação para analisar se está de acordo com as normas exigidas, se possui a quantidade ideal para que sejam realizados os ensaios. Então, tem início o processo dentro de rastreabilidade do laboratório para assim realizar os ensaios e avaliar a conformidade do produto, se este realmente atende às normas técnicas padrão da ABNT”, conta Francis.
Os ensaios realizados nos blocos cerâmicos são: ensaios de determinação das dimensões, determinação da resistência à compressão e determinação da massa seca e do índice de absorção de água. E nas telhas cerâmicas, são feitos os ensaios de determinação das dimensões; empeno e torção (tipo romana); determinação de galga mínima, entre outros. Os métodos utilizados nos ensaios dos blocos cerâmicos atendem às normas (ABNT NBR 15270 /2005) e nos ensaios das telhas cerâmicas, às normas (ABNT NBR 15310/2009).
Consultorias técnicas
Além dos ensaios, o laboratório também desenvolve consultorias técnicas para adequação nos processos de fabricação, como: análises e armazenamento de argila, extrusão, secagem, queima, entre outros. “Hoje quando as empresas solicitam, o consultor técnico vai à sede da empresa prestar esse suporte durante todo o processo de fabricação dentro da indústria cerâmica, para ajustar esses processos”, explica o coordenador.
Graças à parceria com o Sebrae, o serviço de consultorias oferecido pelo laboratório faz parte do Programa SEBRAEtec – Sistema de Gestão em Consultoria Tecnológica que promove o acesso a serviços tecnológicos e inovação aos pequenos negócios brasileiros. “Através desse programa oferecido pelo Sebrae, nós fazemos o atendimento a essas empresas para que elas possam melhorar a qualidade dos produtos através do ajuste no processo de fabricação. Inclusive hoje somos nós que desenvolvemos consultoria técnica nos processos da empresa Cerâmica João de Barro, de Iranduba”, declara Aquino.
O laboratório possui equipamentos, como a prensa de resistência, utilizada para determinar a resistência à compressão dos blocos cerâmicos, e a estufa de secagem, utilizada para secar os blocos cerâmicos a fim de determinar sua massa seca e, posteriormente, o índice de absorção de água.
Francis revela que o tanque de imersão possui duas finalidades. “Ele é dividido em dois espaços: um lado é utilizado para saturação dos blocos com água à temperatura ambiente, na qual fica imerso 24h e o outro lado é o tanque de fervura, onde o bloco fica apenas 2h para contraprova, para que não haja dúvida quanto ao resultado do ensaio.”
Segundo o gerente da Escola SENAI Demóstenes Travessa, Rodson Barros, estar em conformidade, cumprindo as normas obrigatórias e padrões de qualidade, são requisitos importantes para garantir uma obra segura. “Os produtos testados em nosso laboratório garantem maior confiabilidade, qualidade e segurança na hora da sua utilização na obra, isso é primordial hoje para garantir a integridade física dos trabalhadores e futuramente das pessoas que irão usufruir da obra”, salienta.
Para manter-se competitiva quanto às exigências do mercado, as empresas do segmento devem garantir a qualidade dos blocos cerâmicos e telhas visando o selo do Programa Setorial da Qualidade (PSQs). Para os interessados, o laboratório de Cerâmica Vermelha está localizado na escola SENAI Demóstenes Travessa, na Avenida Gal. Rodrigo Otávio, 510, Distrito Industrial. Para mais informações ligar para os números (92) 3614-5900/ 5907 ou pelo e-mail [email protected].
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