A transformação da educação profissional diante dos avanços tecnológicos, sem perder de vista o olhar humano sobre o processo de aprendizagem, é o foco da 10ª Jornada Pedagógica Nacional de Educação Profissional e Superior do SENAI, que teve início na manhã desta quinta-feira (30) e segue até amanhã (31). Com o tema “Tecnologia que impulsiona, metodologia que humaniza”, o evento reúne docentes, pedagogos, gestores e equipes técnicas das unidades do SENAI Amazonas para discutir práticas inovadoras capazes de fortalecer a formação de profissionais alinhados às novas demandas da indústria.
A programação contempla palestras, painéis e workshops sobre inteligência artificial (IA), tecnologias digitais, metodologias ativas e educação inclusiva, promovendo um espaço de atualização e troca de experiências entre profissionais da educação profissional de todo o país.
Durante a abertura, o gerente de Educação Profissional do SENAI Amazonas, José Nabir de Oliveira, destacou que a jornada chega à sua décima edição consolidada como um espaço estratégico para atualização pedagógica e fortalecimento das práticas educacionais em toda a rede SENAI.
Segundo ele, o evento promove uma reflexão coletiva sobre os desafios da formação profissional e incentiva a incorporação de novas tecnologias sem perder de vista o papel humano da educação. “Durante esses dois dias, a gente vai ser agraciado com palestras e painéis focados em temas que fortalecem o processo de educação profissional e tecnológica desenvolvida pelo SENAI. Vai desde as tecnologias digitais até a inteligência artificial (IA), que hoje pode e deve ser utilizada como um recurso importante na formação de pessoas.”
José Nabir ressaltou ainda que a programação mobiliza praticamente todos os docentes da instituição, incluindo profissionais das unidades da capital, das agências de Parintins, Iranduba e Itacoatiara, além da equipe do Barco-Escola Samaúma, reforçando o caráter nacional da iniciativa. “Esse evento é um movimento da educação que fortalece a nossa missão institucional, que é promover a educação profissional e tecnológica, a inovação e a transferência de tecnologias para a indústria brasileira.”
O gerente também destacou a importância da atuação dos educadores na transformação social e profissional dos estudantes, lembrando que a educação continua sendo o principal caminho para o desenvolvimento de competências e melhoria da qualidade de vida. Além disso, enfatizou que momentos como a Jornada Pedagógica permitem revisitar metodologias, compartilhar experiências e preparar as equipes para os desafios presentes e futuros da educação profissional.
Inclusão como referência nacional
Um dos destaques da programação foi o reconhecimento à psicóloga e interlocutora do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI), Kátia Silva, convidada pelo Departamento Nacional do SENAI para mediar um workshop nacional sobre educação profissional inclusiva. O convite reconhece a experiência desenvolvida pelo regional amazonense no acolhimento de estudantes indígenas e migrantes venezuelanos.
Durante o workshop, Kátia apresenta estratégias construídas a partir da realidade amazônica, com foco na criação de ambientes educacionais mais acolhedores, equitativos e culturalmente sensíveis. Entre os objetivos da atividade estão compreender as especificidades dos estudantes indígenas e migrantes, identificar barreiras que dificultam o acesso e a permanência na escola, fortalecer práticas de acolhimento e compartilhar metodologias inclusivas aplicáveis ao cotidiano das unidades do SENAI.
A programação também aborda temas como diversidade cultural, povos indígenas do Amazonas, migração venezuelana, barreiras linguísticas e culturais, comunicação intercultural, estudos de caso, fluxo institucional de acolhimento e o papel integrado dos instrutores, equipes pedagógicas e do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI). “Nós aqui recebemos muitos indígenas e venezuelanos, então temos essa expertise no Amazonas. Vamos compartilhar isso com todo o Brasil através desse workshop.”
Kátia explica que um dos exemplos apresentados é o trabalho desenvolvido pelo Barco-Escola Samaúma, que leva educação profissional aos municípios do interior do estado e atende comunidades indígenas, demonstrando como práticas pedagógicas adaptadas podem ampliar o acesso à qualificação profissional. “A proposta é falar um pouco do nosso Barco Samaúma, que vai pelos 62 municípios levando educação profissional também para os indígenas. Vamos lançar um desafio para que os participantes desenvolvam estratégias de acolhimento, permanência e mediação da aprendizagem desse público em todas as instituições e escolas do SENAI.”
Cinco princípios para uma educação profissional inclusiva
Como parte do workshop, Kátia Silva apresenta cinco princípios que orientam uma educação profissional mais inclusiva: acolher antes de ensinar, garantindo que cada estudante se sinta respeitado e pertencente ao ambiente escolar; valorizar as diferenças, reconhecendo a diversidade cultural como elemento que amplia o aprendizado; combater preconceitos, eliminando estereótipos e práticas discriminatórias; adaptar estratégias pedagógicas, com flexibilidade metodológica para favorecer a aprendizagem sem comprometer a qualidade do ensino; e promover a permanência, criando condições para que os estudantes concluam sua formação com sucesso.
A palestra também destaca características dos estudantes indígenas e migrantes atendidos pelo SENAI. No caso dos povos indígenas, enfatiza que o Amazonas concentra a maior população indígena do país e reúne centenas de povos com diferentes culturas, idiomas e modos de vida, além de reforçar que a identidade indígena não está relacionada à aparência ou ao uso de tecnologias. Em relação aos migrantes venezuelanos, evidencia os desafios enfrentados com o idioma, a reconstrução das trajetórias escolares e profissionais e o papel da educação profissional como ferramenta de inclusão social e acesso ao mundo do trabalho.
Formação alinhada aos novos desafios
Com programação nacional, a 10ª Jornada Pedagógica aborda temas como inteligência artificial, tecnologias digitais, metodologias de ensino, inclusão, práticas pedagógicas e inovação educacional. A proposta é fortalecer a atuação dos profissionais da educação do SENAI diante das novas demandas da indústria e da sociedade, promovendo uma formação cada vez mais conectada às transformações tecnológicas, sem abrir mão de uma abordagem humanizada do processo de ensino e aprendizagem.

