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Seminário sobre metodologia de ensino profissional e inserção no trabalho da população vulnerável

Diretor do SENAI apresenta o caso de sucesso do barco-escola Samaúma na disseminação da educação profissional pelos municípios do AM
Diretor do SENAI apresenta o caso de sucesso do barco-escola Samaúma na disseminação da educação profissional pelos municípios do AM

Trilhando novos caminhos e experiência entre Brasil e Moçambique

 

Política pública na promoção do acesso à educação profissional às populações vulneráveis foi tema discutido no II Encontro “Trilhando novos caminhos e experiência entre Brasil e Moçambique”, durante a última quarta-feira, 13, no auditório do SENAI. A iniciativa foi coordenada pela ONG francesa Associação de Solidariedade Internacional (Essor), em parceria com Associação para o Desenvolvimento Integrado e Sustentável (Adeis), Instituto Nacional do Emprego e Formação Profissional de Moçambique (Inefp), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Amazonas e Paraíba), entre outras organizações.

A primeira parte da programação tratou da articulação interinstitucional para a implementação e controle social das ações de trabalho e emprego na luta contra a pobreza no Brasil e Moçambique.  De acordo com o diretor do SENAI/AM, Aldemurpe Barros, a instituição contribui na educação técnica e profissionalizante, garantindo a melhoria da qualidade de vida dessa população desprovida de qualificação, oportunizando desta maneira seu crescimento profissional.

Aldemurpe destaca que a instituição é indutora de formação profissional na América Latina, sendo precursora e exemplo na disseminação do conhecimento profissional, inovação e transferência de tecnologias e soluções industriais. “Participar de cooperações técnicas e educacionais como essa permite o aprimoramento das ações já iniciadas entre as organizações envolvidas e a troca de metodologias que beneficiam ambas as partes, em especial no atendimento aos brasileiros e moçambicanos de baixa situação financeira e escolaridade”.

O diretor do SENAI/AM explica que a missão da instituição é formar trabalhadores para o ingresso no mercado, colaborando com o avanço social dessas pessoas e dando a chance de usufruírem uma vida mais digna. Desde o início do ano, o SENAI/AM desenvolve parceria no programa LiagAção com a Adeis que  acompanha o trabalho do barco-escola Samaúma, unidade fluvial do SENAI/AM que leva educação profissional pelas cidades ribeirinhas da Amazônia e que já qualificou mais de 43 mil alunos ao longo de 33 anos de existência.

A ONG vai aos municípios antes da chegada do barco para mapear as condições dos interessados em participar da programação de cursos que são ministrados nas cidades aportadas pelo Samaúma. A prévia avaliação das necessidades e o nível de carência dos futuros alunos da unidade fluvial garantem o compromisso do SENAI de disseminar o conhecimento profissionalizante as comunidades de difícil acesso a formação profissional e distantes da capital, bem como do programa de cooperação LigAção, cujo objetivo é oportunizar melhora da qualidade da oferta de formação e inserção profissional das populações desfavorecidas nos estados do Amazonas e Paraíba, e na Província de Sofala, em Moçambique.

“A Adeis realiza atividades voltadas à formação e inserção da população vulnerável no mercado de trabalho, apoiando, motivando e orientando esse público a se qualificar na perspectiva de mudar esse cenário de miséria”, explica a coordenadora geral da Adeis, Luceny Santos.

Segundo Luceny, a parceria com o SENAI traz legitimidade e credibilidade a ação da Adeis e a essa mobilização do programa LigAção desenvolvida por várias ONG’s e instituições de ensino. “Priorizamos a qualificação, porém essa base deve ser de qualidade e quando pensamos numa referência, pensamos no ensino profissionalizante do SENAI”, enfatiza a coordenadora da Adeis.

A discussão também abordou a cultura e realidade de algumas comunidades brasileiras e de Moçambique que, devido a sua localização e distância dos grandes centros formadores de profissionais, passam a sobreviver por meio dos programas governamentais de assistencialismo. Quanto ao assunto, a chefe do Departamento de Formação de Formadores do Inefp, Felicdade Bambo, destaca que é necessário qualificar e trabalhar na mudança de comportamento das pessoas para que tenham a capacidade e consciência que podem ter uma profissão e também seu próprio negócio.

“É de vital importância esse trabalho conjunto da LigAção entre as organizações desses dois países, pois estamos alinhando nossas metodologias para tornar mais independentes essas comunidades que vivem com ajuda de programas de assistências sociais”, acredita Bambo, destacando as boas práticas desenvolvidas aqui no Brasil na forma de articulação aplicada pelo SENAI com as empresas quanto ao apoio industrial e contrapartida da indústria no fomento da estruturação da instituição, escolas e unidades móveis.

“Essa interação foi de grande valia na proposta de consolidar estratégias da formação profissional e criação de emprego e renda às famílias carente do Brasil e Moçambique”, avalia Felicdade Bambo.

O encontro promoveu a troca de experiência entre técnicos em educação e políticas de responsabilidade social do Brasil e Moçambique, sendo possível o desenvolvimento de sugestões e estratégias técnicas e materiais em prol da classe social desfavorecida nos dois países, em especial, nas cidades ribeirinhas do Amazonas, municípios carentes da Paraíba e em quatro nos municípios de Maputo, Matola, Beira e Nampula, da Província de Sofala.

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