Em 60 anos de atividades, no Amazonas, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) contabilizou mais de 775 mil matrículas nos 191 cursos que oferece e que são de interesse da indústria local, além de ter oferecido qualificação para cerca de 60 mil moradores de cidades ribeirinhas do Amazonas e de outros estados da região por meio dos barcos-escolas Samaúma I e Samaúma II.

Os números fazem parte do balanço apresentado pela instituição, na quinta-feira (7), durante homenagem aos 60 anos de fundação do SENAI Amazonas, em sessão especial na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Na tribuna, o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Nelson Azevedo, repassou uma parte da história da instituição, iniciada em 16 de dezembro de 1957, com a inauguração da Escola de Aprendizagem de Manaus, seguida da criação da Delegacia Regional do SENAI, em 1º de janeiro de 1958.
Para Nelson Azevedo, a história do SENAI Amazonas segue de perto o desenvolvimento da indústria local, principalmente depois de efetivado o modelo Zona Franca de Manaus. Segundo ele, quando o nascente polo eletroeletrônico, da Zona Franca, sentiu necessidade de mão de obra qualificada, o SENAI criou, em 1976, sua segunda escola em Manaus, o Centro de Treinamento do Distrito Industrial, hoje denominado Escola SENAI Antonio Simões.

Até então, a primeira escola, depois rebatizada de Escola SENAI Waldemiro Lustoza, oferecia, junto com o curso preliminar, os cursos da área de mecânica de autos. Depois, veio a Escola SENAI de Ações Móveis e Comunitárias (1977), que passou a atender as áreas de alimento e vestuário, e a Escola SENAI Demóstenes Travessa (2004), dedicada à indústria da construção civil.
Atualmente, a instituição conta com cinco escolas, quatro delas localizadas em Manaus e uma em Parintins, e mais três agências de treinamento no interior – em Coari, Iranduba e Itacoatiara, além de quatro unidades móveis, duas terrestres e duas fluviais.
Segundo Nelson Azevedo, o SENAI oferece ainda qualificação a distância (EAD), modalidade que contabilizou no ano passado, 33.075 concluintes. Em relação aos barcos-escolas Samaúma, foram quase 60 mil pessoas atendidas em quase 40 anos, somadas as atividades do primeiro barco, inaugurado em 1979, ao resultado dos três anos do Samaúma II.
“Esses navios são adaptados para disponibilizar de 14 a 20 cursos em suas oficinas, laboratórios e salas de aulas. Visitam pelo menos oito municípios e qualificam mais de 3 mil ribeirinhos todos os anos. Graças a esse trabalho, já conseguimos atender 65 municípios no Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Pará”, disse o vice-presidente da FIEAM.
Azevedo disse que o Sistema FIEAM pretende iniciar a construção em 2018 do Instituto SENAI de Inovação (ISI), um dos 25 institutos espalhados por todo o país e que, segundo ele, vão trabalhar integrados no desenvolvimento de projetos de pesquisa aplicada e inovação para a indústria. “O nosso ISI vai desenvolver seus projetos em microeletrônica, área estratégica em função das necessidades do nosso polo industrial”, disse.
O ISI do Amazonas, segundo Nelson Azevedo, mesmo antes de ter sua sede definitiva, já vem desenvolvendo novos produtos e processos industriais. “Só para dar uma ideia do alcance desse trabalho, o nosso ISI tem dez projetos aprovados ou em execução ou já lançados, como o projeto de um gel para tratamento de microvarizes a partir de ativos vegetais nanoencapsulados”, citou.

Nelson Azevedo fez questão de esclarecer que todo o trabalho realizado pelo SENAI utiliza exclusivamente os recursos oriundos de contribuições compulsórias da indústria. “As empresas, com exceção das pequenas, recolhem o equivalente a 1% da folha de pagamento para a instituição. É esse dinheiro que aplicamos em recursos físicos ou humanos necessários para que o SENAI possa cumprir seus objetivos”, disse.
Para o diretor regional do SENAI, Rogério Pereira, a história do SENAI, não apenas no Amazonas, se confunde com o processo de industrialização do país. “É importante que se diga que o SENAI foi criado por iniciativa da indústria para que pudesse enfrentar os desafios que já apareciam para o segmento nas décadas de 1940 e 1950”, disse. O SENAI nacional foi criado em 1942.
Presidida pelo deputado Abdala Fraxe (Podemos), a sessão especial em homenagem aos 60 anos do SENAI Amazonas, foi proposta pelo deputado Sidney Leite (sem partido), representado na ocasião pelo deputado Donmarques Mendonça (PSDB), e incluiu a entrega de uma placa comemorativa ao vice-presidente da FIEAM, Nelson Azevedo, e diplomas de Honra ao Mérito aos gestores do SENAI, além de uma homenagem à pedagoga Isabel Mesquita, 73 anos, como a funcionária mais antiga da instituição, com 39 anos de casa, e atualmente gerenciando o setor de Qualidade do SENAI.

