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SENAI forma novos técnicos para o mercado de trabalho

Programa SENAI de Ações Inclusivas contribuiu para que alunos, como Expedito Augusto Machado e Yohandry Carolina Diaz, concluíssem a formação técnica e ampliassem as perspectivas profissionais

 

Setenta e um alunos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI Amazonas) receberam na última sexta-feira (31) os seus certificados de conclusão nos cursos técnicos em Mecânica, Eletromecânica, Química e Logística. “No Amazonas, onde a competitividade do Polo Industrial depende de mão de obra qualificada, o SENAI Amazonas vem contribuindo com a formação técnica para suprir necessidades do setor”, disse Antonio Silva, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas e do Conselho Regional do SENAI.

A cerimônia contou com a presença de familiares dos formandos, docentes, colaboradores do SENAI e representantes de empresas parceiras, como Ambev, PCE Embalagens e PHD Tintas do Brasil Ltda.

Entre os formandos, destacaram-se dois exemplos de superação. O aluno com surdez Expedito Augusto Machado, que se tornou técnico em Mecânica, e a venezuelana Yohandry Carolina Diaz, a mais nova técnica em Química. Ambos receberam acompanhamento da equipe multidisciplinar do Programa SENAI de Ações Inclusivas (PSAI), iniciativa que contribuiu para a aprendizagem e conclusão da formação técnica dos alunos.

Durante a cerimônia, a psicóloga e interlocutora do PSAI, Kátia Cilene Silva, destacou que cada formando carrega uma história de superação e que a educação profissional representa uma oportunidade de transformação pessoal e profissional. Segundo ela, além da formação técnica, o SENAI busca desenvolver competências socioemocionais para que os alunos ingressem no mercado preparados para fazer a diferença como profissionais e cidadãos.

Inclusão que abre caminhos

Aos 46 anos, Expedito Augusto Machado concluiu o curso técnico em Mecânica após dois anos de estudos conciliados com a rotina de trabalho na Yamaha. Único colaborador surdo de seu setor, contou que a formação já trouxe resultados concretos em sua carreira, possibilitando uma mudança de função dentro da empresa.

“Eu trabalho há 13 anos na Yamaha. Fiz esse curso porque queria crescer profissionalmente. Já consegui mudar de cargo para a área de manutenção e quero continuar estudando. Meu sonho é fazer Engenharia”, afirmou Expedito durante entrevista concedida em Língua Brasileira de Sinais (Libras), com tradução das intérpretes Ana Keite Cruz e de Ester da Rocha.

O formando expôs que o curso exigiu dedicação ao longo de dois anos, mas representou uma conquista pessoal e profissional. Além de concluir a formação, foi escolhido pelos colegas para ser o orador da turma de Mecânica, discursando na cerimônia de colação de grau. Em sua fala, ressaltou que a caminhada foi construída coletivamente e agradeceu aos professores, familiares e colegas pelo apoio durante toda a trajetória.

Para que Expedito pudesse acompanhar todas as disciplinas, o PSAI estruturou um atendimento individualizado. A intérprete Ana Keite Cruz acompanhou integralmente o aluno durante os dois anos de curso, atuando junto aos professores e à equipe pedagógica para adaptar estratégias de ensino às necessidades do estudante.

Segundo Ana Keite, o trabalho envolveu reuniões com pedagogos, psicólogos, docentes e familiares para construir soluções de acessibilidade desde o início do curso. Ao longo da formação, novos desafios surgiram, especialmente nas atividades práticas, quando foi necessário adaptar metodologias para que o aluno pudesse perceber, por meio da vibração dos equipamentos, o funcionamento das máquinas.

“Cada desafio que aparecia, buscávamos uma solução. Hoje é um orgulho muito grande porque ele enfrentou não apenas o desafio da inclusão, mas também a rotina intensa de trabalho, sendo o único aluno surdo em uma turma composta por ouvintes. Ele é a prova de que a inclusão não impede ninguém de brilhar”, destacou a intérprete.

A emoção também marcou a família do formando. A mãe, Elizabeth da Fonseca, acompanhou toda a trajetória do filho e relembrou as dificuldades enfrentadas para que ele pudesse concluir a formação. “Estou muito feliz. Foi uma luta para nós dois, mas tivemos o apoio do SENAI e toda a sua equipe. Hoje só tenho que agradecer”, afirmou emocionada.

Formação impulsiona novos projetos

Yohandry Carolina Diaz, 31 anos, mora no Brasil há oito anos, também concluiu o curso com o apoio do PSAI e da empresa onde trabalha. Funcionária da Ambev, Yohandry iniciou sua trajetória no país como terceirizada na limpeza industrial. Após realizar um curso técnico na área elétrica, foi contratada pela empresa e atualmente atua como operadora técnica de meio ambiente. A formação em Química veio para fortalecer sua atuação profissional.

“O curso me ajudou a unir aquilo que faço na empresa com o conhecimento adquirido no SENAI. Quero continuar estudando e me especializar em Engenharia Química”, afirmou.

Segundo a formanda, o incentivo da empresa foi decisivo para sua qualificação profissional, demonstrando como a parceria entre indústria e SENAI contribui para o desenvolvimento dos trabalhadores e para o fortalecimento da competitividade industrial.

 

Parcerias fortalecem desenvolvimento profissional

Durante a cerimônia, o gerente de Qualidade da PCE Embalagens, Joel Barbosa Barros, afirmou que investir na qualificação dos colaboradores representa investir no futuro das empresas e das famílias dos trabalhadores.

“A empresa sente um enorme orgulho de ter participado desta caminhada. Mais do que incentivar a capacitação profissional, acreditamos nas pessoas e no potencial de cada colaborador. Nunca é tarde para aprender, crescer e realizar sonhos”, afirmou.

Também presente na solenidade, o presidente do Conselho Regional de Química da 14ª Região (CRQ-14), Gilson da Costa Mascarenhas, ressaltou a parceria entre o Conselho e o SENAI para incentivar os novos profissionais da área química.

Segundo ele, os formandos já recebem a carteira profissional provisória e têm isenção para emissão da carteira definitiva, iniciativa que busca facilitar a inserção desses técnicos no mercado de trabalho e fortalecer a profissão.

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