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E o que ser\u00e1 colocado em seu lugar? Esta \u00e9 a indaga\u00e7\u00e3o do ano de 2022, depois de tantas amea\u00e7as e expectativas de interlocu\u00e7\u00e3o? Cada governo que entra, pressionado pelos estabelecimentos fabris por este Brasil afora, sem saber do que se trata, tem-se empenhado em desconstruir a economia regional deste Estado, famoso por suas dimens\u00f5es continentais e potencialidades naturais diversas. E, paradoxalmente, detentor de graves indicadores empobrecimento e campe\u00e3o nacional de homic\u00eddios e outros assustadores \u00edndices de viol\u00eancia, predominantemente provocada pela economia do narcotr\u00e1fico, oriunda dos pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n
Desconstruir significa ter algo em seu lugar para n\u00e3o agravar as convuls\u00f5es sociais. Quais s\u00e3o as propostas postas \u00e0 mesa? Paradoxos sociais O arranjo industrial de Manaus, implantado com a Zona Franca de Manaus, em 1967, \u00e9 considerado por especialistas estrangeiros como o maior acerto fiscal da hist\u00f3ria da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades regionais do Brasil. Por isso, precisa de ser revisitado e reconhecido pelo Brasil como a economia com CNPJ, que emite Nota Fiscal e responde pelos grandes avan\u00e7os de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica na regi\u00e3o. Este programa, h\u00e1 muito tempo, reivindica a diversifica\u00e7\u00e3o de sua planta industrial para o uso sustent\u00e1vel do patrim\u00f4nio gen\u00e9tico e biomolecular.<\/p>\n
E este acervo, que resguarda 25% dos princ\u00edpios ativos da diversidade biol\u00f3gica da Terra, perde valor e oportunidades com a remo\u00e7\u00e3o irracional da floresta. Por que o pa\u00eds, 200 anos depois, nunca assumiu este tesouro e suas contradi\u00e7\u00f5es? Este e um tema de m\u00faltiplas e interdisciplinares investiga\u00e7\u00f5es. Curto, m\u00e9dio e longo prazo Temos insistido, entretanto, que a economia gerada pelo p\u00f3lo industrial de Manaus, da qual emana 85% de movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o, n\u00e3o identifica quaisquer outros arranjos econ\u00f4micos capazes de substituir, no curto, m\u00e9dio e longo prazo, esse formato de gera\u00e7\u00e3o de riqueza. Minera\u00e7\u00e3o, piscicultura, servi\u00e7os ambientais, cr\u00e9ditos de carbono\u2026 S\u00e3o bem-vindos e merecem aplausos todos os an\u00fancios que descrevem uma nova economia.<\/p>\n
Temos batalhado por isso no \u00e2mbito de nossas entidades de classe, da universidade e do poder p\u00fablico, e concordamos que \u00e9 preciso vontade pol\u00edtica, semelhante \u00e0quela que criou a ZFM h\u00e1 55 anos e, depois dela, nenhuma mudan\u00e7a substantiva ocorreu. Refer\u00eancia virtual de bioeconomia E esta tem sido nossa luta incessante, numa regi\u00e3o fr\u00e1gil e de muitas potencialidades. Os \u00faltimos an\u00fancios prometeram substituir o polo industrial de Manaus por um arranjo produtivo capaz de fazer da cidade, no m\u00e9dio prazo, uma refer\u00eancia mundial de economia baseada na diversidade biol\u00f3gica. Sabe o que foi feito a respeito? O mesmo resultado que prometeu transformar o Estado numa refer\u00eancia mundial de fertilizantes. Ter\u00edamos tudo para disparar a iniciativa depois da eclos\u00e3o da guerra entre R\u00fassia e ucr\u00e2nia.<\/p>\n
N\u00e3o vingou. Tesla e Amazon Com a presen\u00e7a de milion\u00e1rios globais com iniciativas de viagens interplanet\u00e1rias para romper a rotina terrestre, empresas como a Tesla e a Amazon foram procuradas para \u201cdescobrir\u201d ou \u201csalvar\u201d a Amaz\u00f4nia. E como? Elas ajudariam, com certeza, a alavancar mais empregos e oportunidades, sobretudo para elas, \u00e9 claro! Mesmo assim. No m\u00e9dio e longo prazo, n\u00e3o seriam capazes de substituir a pujan\u00e7a, a diversidade e a responsabilidade regional e ambiental do programa Zona Franca de Manaus. Fordl\u00e2ndia e Projeto Jari A salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o vem de fora. Os pretensos Messias, antes de qualquer coisa, viriam para salvar e expandir seus interesses. \u00c9 natural. N\u00e3o h\u00e1 almo\u00e7o de gra\u00e7a. E toda e qualquer mudan\u00e7a substantiva, necessariamente, precisa ter mobiliza\u00e7\u00e3o e decis\u00e3o end\u00f3gena, ou seja, a partir de nossas potencialidades, peculiaridades, seus atores e respectivos empenhos na dire\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a.<\/p>\n
Ou haver\u00e1 outro caminho para dar viabilidade e efetividade econ\u00f4mica e socioambiental a qualquer projeto na regi\u00e3o? Perguntem a Henry Ford, com a Fordl\u00e2ndia ou dia Daniel Keith Ludwig, com o Projeto Jari. A palavra chave \u00e9 a interlocu\u00e7\u00e3o com a tribo. E com a condi\u00e7\u00e3o de que os recursos aqui gerados sejam aplicados na Amaz\u00f4nia. Assim fica mais f\u00e1cil combinar e acertar. Foi assim que a constru\u00e7\u00e3o da Refinaria de Manaus, por Isaac Benayon Sabba e Moys\u00e9s Israel deu certo. Cr\u00e9dito de carbono pra quem? Com a discuss\u00e3o\/politiza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, surgem a cada dia mirabolantes propostas de interven\u00e7\u00e3o para encontrar sa\u00eddas de salva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. S\u00e3o especialistas de \u00faltima hora que, pegando carona na relev\u00e2ncia clim\u00e1tica, ambiental e econ\u00f4mica da floresta, se atrevem a tecer as mais criativas solu\u00e7\u00f5es sem sequer perguntar com qual delas n\u00f3s concordamos.<\/p>\n
A \u00faltima novidade \u00e9 o cr\u00e9dito de carbono que parte do tombamento da Amaz\u00f4nia, como se fosse o \u00faltimo jardim do mundo, para fixar carbono, limpando o lixo atmosf\u00e9rico produzido pela civiliza\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria. Com um detalhe: n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de expedientes de compensa\u00e7\u00e3o para os atores locais, guardi\u00f5es hist\u00f3ricos da floresta. Ou seja, a reprise de uma com\u00e9dia surrada e rejeitada pela indigna\u00e7\u00e3o popular. Vamos trocar a trilha sonora da partilha e da interlocucao para, em conjunto, conquistar para todos a melhor solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n
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Nelson Azevedo<\/strong> \nEconomista, empres\u00e1rio e presidente do Sindicato da Ind\u00fastria Metal\u00fargica, \nMetalomec\u00e2nica e de Materiais El\u00e9tricos de Manaus, Conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" E o que ser\u00e1 colocado em seu lugar? Esta \u00e9 a indaga\u00e7\u00e3o do ano de 2022, depois de tantas amea\u00e7as e expectativas de interlocu\u00e7\u00e3o? Cada governo que entra, pressionado pelos estabelecimentos fabris por este Brasil afora, sem saber do que se trata, tem-se empenhado em desconstruir a economia regional deste Estado, famoso por suas […]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15870,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,30],"tags":[],"class_list":["post-15866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-banner-destaque","category-news_destaque"],"yoast_head":"\n
Por que desconstruir a Zona Franca de Manaus? - FIEAM<\/title>\n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n \n\t \n\t \n\t \n