{"id":14874,"date":"2020-08-29T12:29:25","date_gmt":"2020-08-29T16:29:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.fieam.org.br\/fieam\/?p=14874"},"modified":"2020-08-29T12:29:25","modified_gmt":"2020-08-29T16:29:25","slug":"futuro-da-zona-franca-e-discutido-com-base-na-bioeconomia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fieam.org.br\/fieam\/futuro-da-zona-franca-e-discutido-com-base-na-bioeconomia\/","title":{"rendered":"Futuro da Zona Franca \u00e9 discutido com base na bioeconomia"},"content":{"rendered":"
M<\/strong>ais uma vez o futuro do modelo Zona Franca de Manaus, criado h\u00e1 53 anos para promover o desenvolvimento econ\u00f4mico da Amaz\u00f4nia Ocidental, foi colocado em discuss\u00e3o, agora com base em projetos de sustentabilidade e da bioeconomia. Nesta sexta-feira (28), em webconfer\u00eancia<\/a> promovida pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), ficou claro que, daqui a outros 53 anos, quando o prazo dos incentivos fiscais acabar, j\u00e1 dever\u00e1 estar consolidado um novo modelo na regi\u00e3o baseado na economia da floresta em p\u00e9 e preservada.<\/p>\n N\u00e3o que a ZFM tenha representado algum dia um est\u00edmulo ao desmatamento. Implantado em 1967 pelo governo brasileiro para integrar a regi\u00e3o ao restante do pa\u00eds, ao mesmo tempo garantindo a soberania nacional sobre suas fronteiras, o modelo tem sido, indiretamente, um aliado dos que hoje defendem o conceito de floresta em p\u00e9: \u00e9 gra\u00e7as \u00e0 natureza das atividades econ\u00f4micas concentradas no Polo Industrial de Manaus que o Amazonas figura como o estado onde houve redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica dos desmatamentos e queimadas nos \u00faltimos 50 anos.<\/p>\n Junto com Campbell, atuaram como conferencistas o advogado S\u00e9rgio Leit\u00e3o, diretor-executivo do Instituto Escolhas, e a antrop\u00f3loga e ambientalista Maritta Koch-Weser, coordenadora do Grupo de Pesquisa Amaz\u00f4nia em Transforma\u00e7\u00e3o: Hist\u00f3ria e Perspectivas, ligado \u00e0 Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Como debatedores, atuaram o presidente da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Antonio Silva, o empres\u00e1rio D\u00eanis Minev, diretor-presidente do Grupo Bemol, e o senador e ex-governador do Amazonas, Eduardo Braga.<\/p>\n Ao abrir o evento, o presidente do TCE-AM, conselheiro M\u00e1rio de Mello, disse que \u00e9 preciso continuar lutando pelo tratamento diferenciado \u00e0 Zona Franca de Manaus e a preserva\u00e7\u00e3o de suas vantagens comparativas por se tratar de uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia imediata.<\/p>\n Neg\u00f3cios Sustent\u00e1veis<\/strong><\/p>\n Autora, junto com outros parceiros do projeto Amaz\u00f4nia 4.0, que defende a \u201cbioeconomia da floresta em p\u00e9 e dos rios fluindo\u201d, Maritta Koch-Weiser apresentou, no semin\u00e1rio, como uma das vertentes para o crescimento da bioeconomia na regi\u00e3o, o projeto da Escola de Neg\u00f3cios Sustent\u00e1veis da Floresta Tropical (Rainforest Business School), num processo colaborativo com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Segundo ela, o projeto da escola foi lan\u00e7ado em novembro do ano passado, com promessa de iniciar o primeiro curso em mar\u00e7o deste ano, mas teve que ser adiado por causa da pandemia, e deve come\u00e7ar no pr\u00f3ximo m\u00eas de outubro o seu primeiro curso on-line.<\/p>\n A Escola deve funcionar, segundo ela, como promotora do crescimento com base na biodiversidade, para beneficiar, em primeiro lugar, as popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas. Entre os cursos de especializa\u00e7\u00e3o e aprendizagem de campo, Maritta citou governan\u00e7a bioecon\u00f4mica e ambiental, e recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, esse porque, segundo ela, 20% dos 800 mil quil\u00f4metros quadrados de \u00e1rea desmatada em toda a Amaz\u00f4nia, s\u00e3o \u00e1reas degradadas e abandonadas.<\/p>\n Banzeiro<\/strong><\/p>\n Para falar sobre como destravar a bioeconomia na Amaz\u00f4nia, o ambientalista S\u00e9rgio Leit\u00e3o, terceiro e \u00faltimo conferencista, disse que a Zona Franca de Manaus sempre remou contra a mar\u00e9 e que agora enfrenta um imenso banzeiro, fazendo quest\u00e3o de explicar \u00e0 alem\u00e3 Maritta do que se tratava o termo amaz\u00f4nico. \u201cOs neg\u00f3cios na Amaz\u00f4nia, como no Brasil, s\u00e3o uma verdadeira corrida de obst\u00e1culos\u201d, disse.<\/p>\n
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<\/a>Foi o que defendeu o ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, um dos conferencistas, que deu \u201ca vis\u00e3o do julgador\u201d ao evento. Amazonense, com passagem por v\u00e1rios tribunais do estado, ele disse que se v\u00ea obrigado, sempre que fala da Zona Franca de Manaus aos colegas da Suprema Corte, a dar uma vis\u00e3o hist\u00f3rica do modelo, com seus antecedentes e perfil socioambiental, embora na \u00e9poca em que foi criado, n\u00e3o se tivesse ainda preocupa\u00e7\u00f5es ambientalistas.<\/p>\n
<\/a> \u201cMas devemos, sobretudo, criar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o investimento pesado em bioeconomia\u201d, disse ele. Citando o intelectual amazonense Samuel Benchimol (1923-2002), Mello disse que \u00e9 vital e urgente promover a ocupa\u00e7\u00e3o inteligente da Amaz\u00f4nia, o que somente se dar\u00e1 se a estrat\u00e9gia posta em pr\u00e1tica for economicamente vi\u00e1vel, ecologicamente adequada e politicamente equilibrada, socialmente justa e tecnologicamente eficiente.<\/p><\/blockquote>\n
<\/a>\u201cO desafio \u00e9 fazer crescer essa bioeconomia que j\u00e1 existe. Precisamos das institui\u00e7\u00f5es mas tamb\u00e9m do incentivo intelectual porque o fundamento da bioeconomia \u00e9 o conhecimento\u201d, disse Maritta, que j\u00e1 teve atua\u00e7\u00e3o como diretora do Banco Mundial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Socialmente Sustent\u00e1vel para a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina e Caribe e hoje preside a Earth3000, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos fundada em 2001, que apoia inova\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas em governan\u00e7a para meio ambiente e desenvolvimento.<\/p>\n