A 322ª e penúltima reunião do ano do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) aprovou hoje 63 projetos industriais, com investimentos projetados de R$ 1,65 bilhão e previsão de mais de 2 mil postos de empregos no Amazonas. A reunião, realizada no Auditório do SENAI, contou com a presença do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Nelson Azevedo, que integrou a mesa diretiva do encontro marcado.
A mesa também reuniu o governador do estado do Amazonas, Roberto Cidade; o vice-governador Serafim Corrêa; o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas; o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro; a diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Márcia Perales; e o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro.

Na abertura, o governador Roberto Cidade destacou o impacto dos projetos para a economia estadual e para a geração de oportunidades, e observou que desempenho do Polo Industrial de Manaus (PIM) também acompanha um momento de expansão na geração de empregos. Dados apresentados durante a reunião apontam que o estoque de empregos no Amazonas chegou a 582.951 postos em 2026, enquanto a mão de obra do PIM atingiu média anual de 132 mil trabalhadores e chegou a 135 mil empregos diretos em agosto.
Os indicadores apresentados pelo secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Gustavo Igrejas, mostram ainda crescimento do faturamento do PIM. De janeiro a agosto deste ano, o PIM registrou faturamento de US$ 32 bilhões, alta de 21,08% em relação ao mesmo período de 2025. A projeção apresentada durante a reunião é de que o faturamento anual ultrapasse US$ 45 bilhões, podendo chegar a US$ 46 bilhões.
“Esse número é um dos maiores números da história. Para esse período é o maior número da história. O nosso recorde de faturamento anual era 2011, com US$ 41 bilhões. Nós vamos chegar no final desse ano a mais de US$ 45, 46 bilhões de faturamento. Vai ser o maior faturamento da história”, afirmou Gustavo Igrejas durante a apresentação dos indicadores.
O secretário também destacou o desempenho dos investimentos no PIM. Segundo os dados apresentados, 2026 registra US$ 11,11 bilhões em investimentos, o maior volume da série histórica.

Para Igrejas, os números refletem a confiança dos investidores no modelo industrial e nas políticas adotadas pelo Governo do Amazonas. No acumulado do ano, até a 322ª reunião, foram apresentados 277 projetos, com R$ 6,61 bilhões em investimentos e previsão de 7.944 novos postos de trabalho. “Isso mostra a confiança que o investidor tem na Zona Franca de Manaus e também no trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado do Amazonas”, afirmou o secretário ao comentar a evolução da quantidade de projetos aprovados nos últimos anos.
Expansão – Na avaliação do superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) vive um momento de forte expansão, impulsionado também pelas mudanças decorrentes da reforma tributária. Segundo ele, a preservação das vantagens comparativas do modelo e o reforço da segurança jurídica aumentaram a confiança dos investidores.
Montenegro destacou ainda o aumento no número de projetos analisados pela Suframa e pelo Codam e atribuiu o movimento à maior atratividade do modelo. Para ele, a instalação de novas fábricas no Amazonas produz efeitos que ultrapassam a economia estadual, ao movimentar fornecedores e cadeias produtivas em diferentes regiões do país. “O modelo Zona Franca de Manaus é um modelo complementar. Ele abastece toda a indústria brasileira e, quando uma fábrica se instala aqui, ela traz investimento privado, gera emprego, renda e movimenta a economia não só do Amazonas, mas de outras regiões”, explicou o superintendente.
Segundo Montenegro, os mais de 2 mil empregos projetados com os novos investimentos também representam oportunidades para trabalhadores do Amazonas e de outros Estados. Ele ressaltou que os efeitos da atividade industrial se multiplicam ao longo da cadeia produtiva, considerando a aquisição de insumos de diferentes regiões brasileiras.
Entre os destaques da pauta desta quinta-feira estão projetos do Grupo Multilaser, com R$ 601,5 milhões em investimentos e 202 postos de trabalho projetados; da Sunhope da Amazônia, com R$ 162,4 milhões e 237 empregos; da Agropam Agricultura e Pecuária Amazonas, em Boca do Acre, com R$ 59,7 milhões e 197 postos; e da Perplasc Indústria de Perfis e Chapas Plásticas, com R$ 26,1 milhões e 138 empregos projetados.
Durante a reunião, o vice-governador Serafim Corrêa apresentou dados sobre os incentivos fiscais concedidos pelo Estado e destacou o papel das políticas de incentivo na atração e permanência das empresas no Amazonas. Segundo os dados apresentados, em 2025 o Estado renunciou a R$ 22 bilhões em incentivos fiscais. “Essas empresas não viriam para cá sem os dois incentivos. Os dois incentivos são fundamentais e é importante que isso fique registrado”, afirmou Serafim, ao destacar a importância conjunta dos incentivos estaduais e federais para a manutenção dos investimentos no PIM.
O vice-governador também ressaltou a trajetória do modelo industrial amazonense e a importância da manutenção das políticas de desenvolvimento para a economia estadual.
Geomapas – Na reunião também houve o lançamento da 7ª edição do “Amazonas em Mapas” e da plataforma Geomapas (www.portaldoplanjejamento.am.gov.br), ferramenta que amplia o acesso a informações territoriais e geoespaciais do Estado. A plataforma permite consultar e cruzar dados relacionados a demografia, economia, aspectos sociais e meio ambiente, apoiando o planejamento e a tomada de decisões.
Gustavo Igrejas também destacou o Plano Estadual de Bioeconomia, lançado em abril deste ano, como uma política de Estado voltada à valorização dos conhecimentos tradicionais, incorporação de tecnologia, aumento da eficiência produtiva e ampliação do acesso aos mercados. “É muito importante, para você interiorizar o desenvolvimento, que aquilo que você produzir seja vendido no mercado. Então, o Plano Estadual de Bioeconomia é um legado que essa administração deixa para o Estado do Amazonas”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, Roberto Cidade reforçou que a atração de investimentos e a geração de empregos devem permanecer entre as prioridades do Estado. “Trazer investimentos, gerar economia, gerar renda, criar oportunidades de emprego, é isso que muda a vida dos amazonenses”, afirmou o governador.
Para o governador, os resultados apresentados na reunião demonstram a força do modelo industrial amazonense. “O modelo Zona Franca é o modelo mais exitoso da história do Amazonas”, disse.
Com as aprovações desta reunião, o Codam soma 277 projetos industriais em 2026, aproximando-se do recorde de 320 projetos alcançado em 2025.
Homenagens
Igrejas, dedicou a pauta de projetos à memória do empresário Victor Simões, filho do presidente da FIEAM, Antonio Silva, falecido em 16 de outubro, destacando seu legado para o desenvolvimento do Amazonas. O secretário também prestou homenagem à Moto Honda da Amazônia pelos 50 anos de atuação na Zona Franca de Manaus (ZFM).

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