O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), Nelson Azevedo, participou da 321ª Reunião Ordinária do Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), realizada nesta quinta-feira (27), no auditório do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). Azevedo destacou a importância da reunião como espaço de integração entre o poder público e a iniciativa privada para a discussão de investimentos, geração de empregos e fortalecimento da economia amazonense.
A reunião aprovou 45 projetos, sendo 25 relacionados a bens finais e 20 a bens intermediários. Os investimentos superam R$ 1 bilhão, com previsão inicial de 1.081 novos postos de trabalho. Somados os empregos diretos, indiretos e a mão de obra remanejada, o impacto chega a 1.355 postos de trabalho novos ou mantidos.
Dos projetos aprovados, 22 são de implantação, 21 de diversificação e dois de atualização. Entre os destaques está o projeto da TCL, com R$ 651 milhões em investimentos e 256 novos empregos, voltado à fabricação de telefones celulares e computadores portáteis. Também foram destacados projetos da Zincofer, com R$ 42 milhões em investimentos e 25 empregos, e da Multilaser, com R$ 50 milhões e 105 novos postos de trabalho, voltado à produção de componentes de cristal líquido.
Com a aprovação da pauta, o Codam chegou a 214 projetos aprovados em 2026, contra 189 no mesmo período do ano passado. A expectativa apresentada na reunião é superar novamente a marca de 320 projetos aprovados, alcançada em 2025.

Segundo o vice-presidente da FIEAM, o ritmo de aprovação de projetos registrado pelo Codam em 2026 demonstra a confiança dos investidores no potencial econômico e industrial do Estado. “Os resultados desta reunião” devem se traduzir em mais desenvolvimento, competitividade, geração de renda e prosperidade para o Amazonas, afirmou o vice-presidente da FIEAM.
A reunião contou com a participação do governador do Amazonas, Roberto Cidade, do vice-governador e ex-secretário da Sedecti, Serafim Corrêa, do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Gustavo Igrejas, além de representantes do setor produtivo, trabalhadores e instituições.
PIM Manaus registra maior faturamento da história no primeiro semestre

Os números apresentados pelo secretário Gustavo Igrejas mostram um cenário de forte atividade econômica no Amazonas. De janeiro a junho de 2026, o Polo Industrial de Manaus (PIM) alcançou US$ 23,5 bilhões em faturamento, segundo dados da Suframa. O resultado representa crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2025 e é o maior faturamento registrado para um primeiro semestre na história do Polo.
No acumulado de janeiro a julho, a arrecadação do ICMS no Estado chegou a R$ 9,47 bilhões, permanecendo próxima ao resultado do ano anterior. Comércio e serviços responderam por 57,3% da arrecadação, enquanto a indústria representou 43,7%.
O setor eletroeletrônico, somado aos bens de informática, representa aproximadamente 38% do faturamento do PIM. Na sequência aparecem o segmento de duas rodas, com 19,76%, o químico, com 10,85%, termoplástico, com 10,51%, metalúrgico, com 8,77%, e mecânico, com 6,29%. Juntos, esses segmentos respondem por mais de 94% do faturamento do PIM.
Entre os principais produtos fabricados, as motocicletas representam 16,3% do faturamento, seguidas pelos televisores LCD (10,2%), aparelhos de ar-condicionado split (5,5%), placas de circuito impresso para informática (6%), telefones celulares (6,6%) e concentrados (5,8%).
O estoque de investimentos no Polo Industrial de Manaus também atingiu aproximadamente US$ 11 bilhões, considerado o maior nível da série apresentada na reunião.
Emprego mantém trajetória de alta
Os indicadores de emprego acompanham o desempenho da indústria. O Amazonas possui atualmente 575.359 empregos formais, segundo dados do Caged apresentados durante a reunião. Comércio e serviços concentram cerca de 68% desse estoque, enquanto a indústria responde por 25,16%. No PIM, a média de trabalhadores em 2026 chegou a aproximadamente 131 mil, também considerada a maior média histórica.
Os dados de produção revelam ainda a importância da cadeia nacional e regional para o funcionamento do Polo. Cerca de 60% dos insumos vêm do exterior, enquanto aproximadamente 20% são de origem nacional e 20% regional, embora os números mais recentes apresentados na reunião indiquem variações para 22% de participação nacional e 17% regional.
Do total produzido pelo PIM, 85% têm como destino o mercado nacional, 13,5% são destinados ao mercado regional e 1,5% correspondem às exportações.
Setor produtivo questiona aumento da “taxa de pouca água”

Apesar dos resultados positivos, a logística continua sendo um dos principais pontos de atenção para a economia amazonense. Durante a reunião, o presidente da Eletros e integrante do Conselho de Representantes do Codam, Jorge Júnior, chamou atenção para o aumento expressivo dos custos de transporte de cargas durante o período de estiagem.
Segundo ele, a chamada “taxa de pouca água” chegou a ser anunciada em valores superiores a US$ 4.500 por contêiner, diante de um cenário em que cobranças que anteriormente giravam em torno de US$ 400 a US$ 500 passaram para valores próximos de US$ 5 mil.
Jorge Júnior questionou a justificativa técnica para o aumento e defendeu que a cobrança seja acompanhada de transparência. “Se tiver justificativa, ok. Mas por que uma cobrança sai de 500 dólares para quase 5 mil dólares?”, questionou durante a reunião.
O dirigente destacou que a estiagem deixou de ser um fenômeno excepcional no Amazonas e passou a exigir soluções estruturais. Na avaliação dele, a dragagem e a sinalização dos rios precisam ser realizadas de forma contínua, e não apenas como medidas emergenciais durante a vazante.
A preocupação foi reforçada pelo presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Bruno Loureiro. Segundo ele, a entidade já levou o questionamento à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), órgão regulador do setor, buscando esclarecer o fato gerador da cobrança, o serviço efetivamente abrangido e a base de cálculo utilizada.
Loureiro citou ainda decisão da agência reguladora relacionada ao tema e informou que a ACA vem mantendo tratativas com Ministério Público, Associação dos Armadores, Marinha do Brasil e representantes dos práticos. Segundo ele, a entidade também se reuniu com o Ministério Público Federal no Amazonas para tratar do assunto.
Transparência e fiscalização são apontadas como caminhos
Para o setor produtivo, a discussão não é apenas sobre o valor da tarifa, mas principalmente sobre a necessidade de demonstrar tecnicamente a origem dos custos e a proporcionalidade da cobrança.
A defesa apresentada durante o Codam é de que os valores sejam acompanhados de planilhas e critérios transparentes que permitam identificar quais custos adicionais efetivamente decorrem da redução do nível dos rios. A atuação do órgão regulador é considerada fundamental para avaliar a composição da cobrança e verificar se ela está de acordo com as regras aplicáveis ao transporte aquaviário.
O impacto econômico pode alcançar toda a cadeia de abastecimento. Bruno Loureiro alertou que o comércio não tem condições de simplesmente absorver um aumento dessa magnitude. Como os custos de frete integram a composição dos preços, uma elevação significativa também pode chegar ao consumidor final.
O vice-governador Serafim Corrêa classificou a cobrança adicional de aproximadamente US$ 5 mil por contêiner como um fator que pode inviabilizar operações comerciais e até provocar desabastecimento.
Diante desse cenário, as entidades defendem uma atuação conjunta entre empresas, órgãos reguladores, Ministério Público e poder público, com transparência na formação dos valores, fiscalização dos critérios utilizados e adoção de soluções permanentes para a navegabilidade dos rios.
Entre as medidas estruturais apontadas está a realização de dragagem contínua durante o ano, além da adequada sinalização dos rios. Serafim informou ainda que uma draga estava a caminho de Itacoatiara para iniciar os serviços e que, em caso de necessidade, estão previstas alternativas logísticas com a utilização de estruturas portuárias provisórias na região para aliviar ou realizar o transbordo de cargas.
BR-319 e infraestrutura entram na agenda de competitividade
A logística também esteve relacionada à defesa da BR-319 como alternativa para reduzir a dependência do transporte aquaviário durante os períodos de vazante. Jorge Júnior afirmou que a estiagem recorrente exige que o Estado deixe de trabalhar apenas com medidas paliativas e avance em soluções estruturais.
O dirigente defendeu ainda que o Codam amplie seu papel. Na avaliação dele, o conselho deve ir além da aprovação de projetos industriais e se transformar em um ambiente permanente de discussão sobre a competitividade do Amazonas, reunindo representantes da indústria, comércio, serviços, trabalhadores e poder público para identificar gargalos e apresentar propostas.
Durante a reunião, Jorge Júnior destacou que o Amazonas avançou no ranking de competitividade elaborado pelo Centro de Liderança Pública, passando da 17ª para a 14ª posição. Para ele, o resultado demonstra evolução, mas também evidencia que há espaço para novos avanços.
Governador destaca geração de emprego e renda

Ao comentar os resultados da 321ª reunião, o governador Roberto Cidade parabenizou os envolvidos pelos números apresentados e ressaltou o impacto dos investimentos para a economia estadual. O governador também destacou a importância da participação do Estado na criação de um ambiente favorável aos investimentos e afirmou que a administração estadual deve atuar para reduzir entraves burocráticos que possam impedir a geração de empregos.
Cidade defendeu ainda a ampliação e diversificação da matriz econômica do Amazonas, com investimentos em atividades como potássio, terras raras e gás natural, além da expansão territorial do Polo Industrial de Manaus para atender às perspectivas de crescimento até 2073.
Ao final, ressaltou que os resultados do Polo Industrial de Manaus têm reflexos sobre toda a população amazonense. Segundo o governador, o Estado registrou redução de 15% na pobreza e de 6% na extrema pobreza, destacando a contribuição da Zona Franca de Manaus e de políticas estaduais para esse resultado.



