Apesar da conjuntura de dificuldades, controle dos gastos e da inflação no médio prazo resultarão em investimentos e alta do PIB
A conjuntura econômica País é de estabilidade, com um cenário favorável para o crescimento no médio prazo se o governo seguir medidas como controle de gastos e da inflação, com impactos positivos na gradativa queda dos jutos, aumento dos investimentos e do Produto Interno Bruto (PIB), as riquezas geradas na economia. O cenário foi traçado pelo ex-ministro da Fazenda e atual diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Banco Safra, Joaquim Levy, em palestra para empresários na noite da última quinta-feira (9), a convite da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM).

O presidente da FIEAM, Antonio Silva, agradeceu a presença de Levy, pela segunda vez, a convite da entidade representante líder do setor produtivo, para apresentar do cenário da economia, especialmente para o Amazonas, que tem forte sustentação, com o Polo Industrial de Manaus.
Para Levy, o Brasil deve aproveitar o cenário externo e tocar a economia para uma gradual estabilidade e aumento dos investimentos, o que deverá se consolidar com um cenário de crescimento do PIB em torno de 2,5% ao ano, meta de déficit primário de 0,5% do PIB, as despesas maiores que as receitas, e inflação pouco acima dos 3%, que hoje está tensionada pelo choque do petróleo. “Temos um cenário favorável para o crescimento”, destacou.
Sobre a economia do Amazonas, apontou que uma boa notícia é o aumento dos investimentos na indústria naval, com a construção de balsas, empurradores e demais embarcações que ajudarão a reduzir os impactos que a logística na região têm sobre a atividade econômica local.
Com gráficos e dados do Banco Central e dos demais agentes econômicos do mercado e do Banco Safra, Levy apontou que, apesar dos recentes problemas da economia mundial como o conflito no Oriente Médio e a pressão nos preços dos combustíveis, com desaceleração das economias, além das sobretaxas pontuais aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos, a conjuntura internacional para o Brasil é adequada para a manutenção da estabilidade. E destacou que a alta de preço do petróleo no mercado internacional eleva as receitas do governo.
Sobre os EUA, citou que a inflação deverá subir e o consumo cair, mas sem que haja necessidade de tomada de medidas exageradas do FED, o banco central americano. E citou a proposta orçamentária expansionista do governo Trump, que apesar de ter cortado US$ 70 bilhões, ao enxugar a máquina, aumentará em US$ 500 bilhões as despesas com defesa.
Levy também citou os fortes parceiros, como a China, que superou a crise imobiliária e mantém uma taxa de crescimento do PIB com demanda dos produtos primários brasileiros, o que contribui para o superávit comercial, especialmente nas commodities agropecuárias e energéticas, com destaque para soja e petróleo.
Engenheiro naval, com doutorado em Economia pela Universidade de Chicago, Levy traçou o atual cenário macroeconômico de estabilidade e crescimento, se forem seguidas as estimativas para a redução do déficit público do País e a necessidade de cumprimento da Lei das Diretrizes Orçamentárias.
O executivo exemplificou que o déficit primário do Brasil, de -0,4% do PIB, está em conformidade com as economias dos países em desenvolvimento, à exceção do México, com superávit de 1,5%, mas segue o da África do Sul, de -0,35%, Chile, -0,62%, Turquia, -0,73% e da Índia, de -1,83%.
Mencionou ainda, que as despesas discricionárias excluindo saúde e educação têm caído, ao passarem de 1,5% do PIB, em 2010, para menos de 1%, neste ano, mesma tendência com pessoal e encargos.
Para tanto, Levy aponta as metas de superávit primário, as receitas do governo central acima das despesas, projetadas em 0,5% do PIB, em 2027, 1,0%, em 2028 e 1,25%, em 2029, conforme a estimativa do governo federal. Nesse aspecto, citou o ex-presidente do BC, Roberto Campos Neto, que em arrigo destacou o resultado primário de 1% e 2% do PIB ao longo dos próximos anos estimularia um círculo virtuoso da economia. 
A resposta, segundo Levy, é estimulada pelo investimento privado. “Empresário é um bicho diferente e vê as oportunidades”, disse, ao apontar a expansão dos aportes que dispararam em relação ao PIB de antes da pandemia de Covid.
Já em relação à inflação, apesar da expansão do emprego com pressão no consumo, destacou as medidas do Banco Central que ajudaram a segurar a demanda desde a metade do ano passado, com o aperto no crédito para as famílias o que começou a frear e reduzir a tendência de alta da elevada taxa de inadimplência, que chegou a perto de 3% do PIB, em 2021, na pandemia, e em janeiro deste ano caiu para menos de -2% do PIB, comportamento semelhante para as empresas.
Antonio Silva destaca potencial competitivo do Amazonas
O presidente da FIEAM, Antonio Silva, destacou a importância de se acompanhar de perto as transformações do cenário global e reforçou o potencial competitivo do Amazonas, ao comentar a abordagem feita por Joaquim Levy para a plateia de convidados da instituição. “É fundamental estarmos atualizados e preparados para os desafios futuros. O Amazonas tem potencial e já demonstra avanços importantes, inclusive na área de logística e construção naval, que reduzem custos e ampliam a competitividade”, afirmou.

Neste contexto, ele destacou o fortalecimento da logística regional e da indústria naval do Amazonas. “Hoje já se produz aqui embarcações, rebocadores, balsas. Isso muda completamente a lógica de custos no transporte e fortalece a economia local. Quem diria que a construção naval estaria ganhando essa força na Amazônia?”, pontuou.
A palestra reuniu representantes de diversos segmentos produtivos e instituições, reforçando o compromisso da FIEAM em promover o diálogo e a qualificação do setor industrial diante das transformações econômicas globais.

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